A internet e os moscatéis

In Gastronomia On
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Quinta da Bacalhôa, construção da época da chegada ao Brasil dos portugueses, século 16. Por Luiz Horta.

Luiz Horta

Ontem, ia participar de minha primeira “live”, convidado pela Karene Vilela, CEO da Portus Cale, para falar sobre um estilo de vinho que adoro, os moscatéis de Setúbal.

Quem me segue sabe do meu amor pelos vinhos fortificados portugueses, que são os mais “underrated” do mundo dos vinhos, quer dizer, que custam muito menos do que valem e são relegados a uma condição de vinhos de beber com doces.
Portos, Madeiras, Moscatéis são delícias, sol engarrafado em alguns casos, noutros o tempo detido na garrafa. Algo como aquela da lenda do Aladim, você abre e libera líquidos que estão dormindo por décadas, até centenas de anos.

Moscatel Bacalhôa é parte do grupo que produz também outro favorito, o Quinta da Bacalhôa (um dos grandes tintos, em particular nos anos de Palácio da Bacalhôa).

Se minha conexão não tivesse dado pau, eu teria contado o jantar que tive na própria Quinta, construção da época da chegada ao Brasil dos portugueses, século 16, e que resiste lá, lindamente conservada, com seu “maze” (aquele labirinto verde tão ao gosto inglês na jardinagem) e seus aposentos senhoriais.

Jantei com um estimado amigo, o enólogo chefe Vasco Garcia, personagem com mil histórias para contar (ele me disse, naquela noite, que fora o Saúl Galvão que fez com que gostasse de consumir queijos com vinhos brancos, aqui no Brasil, vejam só).

A Península de Setúbal está parcialmente defronte Lisboa, da varanda da Quinta da Bacalhôa, num jantar de verão, se vê a iluminação lisboeta lá no fim do horizonte, o que encanta ainda mais a visita ao palácio.

Naquela noite dormi só na Quinta, os empregados após o jantar, zarparam (medo dos fantasmas, admitiram). Perguntaram antes se eu queria algo mais e fiquei com uma garrafa de Palácio da Bacalhôa e um de Moscatel e os fantasmas, que seriam vários.
Não vi nenhum, teria tido grande prazer em compartilhar uma taça com algum deles.

Moscatel de Setúbal tem uma característica bem especial, já é delicioso na sua versão mais simples, nem precisa ser dos envelhecidos ou dos da uva Moscatel Roxo, mais aristocrática. Os básicos já dão imensa alegria.

Claro que combinam muito com doces, mas eu gosto bastante deles com queijos raçudos e pungentes, como o Azeitão ou um Pont-l´Évêque esquecido na geladeira, ou Reblochon. Gosto de queijos quando estão molinhos, fedidinhos e começando a falar as primeiras palavras. Aquela massa viva de sabor. E a doçura com acidez do Moscatel faz uma linda parceria com eles.
Experimentem.

Moscatel Bacalhôa, Portus Cale (portuscale.com.br) R$73,18 no site (gostando deles como gosto eu acho quase ofensivo que custem tão pouco, uma garrafa dura bastante, é um vinho fortificado, pode ficar aberto na geladeira para uma taça diária).

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