Brasil tem 19 milhões de nanoempreendedores, mas 71% atuam sem CNPJ, revela estudo inédito

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Levantamento encomendado pela Natura, associada ABEVD, mostra que quase 72% atuam sem CNPJ, têm renda média de R$ 1.480 por mês e apresentam características muito diferentes das observadas entre microempreendedores individuais (MEIs)

O Brasil já reúne cerca de 19 milhões de nanoempreendedores, o equivalente a 18% da população economicamente ativa. Criada pela Reforma Tributária para contemplar trabalhadores com faturamento anual de até R$ 41 mil – metade do valor do MEI, a categoria representa um universo de empreendedores de pequena escala que, em muitos casos, utilizam essa atividade para complementar a renda familiar.

O estudo “Nanoempreendedores no Brasil – Dimensionamento e Perfil Socioeconômico”, conduzido pelo professor Fernando Blumenschein, PhD e mestre em Economia pela Universidade de Cornell, a pedido da Natura, membro da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), traça pela primeira vez o perfil desse público e evidencia diferenças significativas em relação aos microempreendedores individuais (MEIs).

A partir dos microdados da PNAD Contínua/IBGE e CNPJ da Receita Federal, o estudo apurou que 15,5 milhões de nanoempreendedores (71,9%) atuam atualmente sem CNPJ. O levantamento mostra ainda que a renda média mensal destes informais é de R$ 1.480 e 81,5% vivem com renda de até dois salários mínimos. Entre os formalizados a renda média é de R$ 2.137.

O estudo também revela que 31,5% não concluíram o Ensino Fundamental, indicando um perfil marcado por maior vulnerabilidade econômica e desafios relacionados à escolaridade, à inclusão digital e ao cumprimento de obrigações administrativas.

As disparidades regionais também chamam atenção. O estudo mostra que 93% dos nanoempreendedores do Norte e 89,8% do Nordeste atuam atualmente sem CNPJ. Já o estado de São Paulo concentra o maior número de nanoempreendedores do país, com aproximadamente 3,9 milhões de pessoas, das quais cerca de 2,8 milhões exercem suas atividades sem formalização.

Quando comparado ao universo dos MEIs, o contraste é evidente. Entre os empreendedores com faturamento anual entre R$ 40,5 mil e R$ 81 mil, a formalização é significativamente maior, a renda média mensal supera R$ 4.600 e a proporção de pessoas com ensino superior completo praticamente triplica  à observada entre os nanoempreendedores.

No setor de venda direta, o estudo identifica impacto potencial sobre 5,3 milhões de mulheres que utilizam essa atividade como importante fonte de geração de renda. Segundo o levantamento, 44% trabalham menos de 40 horas por semana, característica que reforça o papel da venda direta como alternativa flexível de inclusão produtiva e complemento de renda.

“O estudo mostra que o nanoempreendedor possui características socioeconômicas bastante distintas das observadas entre os MEIs. Esse perfil precisa ser considerado na regulamentação da Reforma Tributária para que a nova categoria cumpra seu propósito original de promover inclusão social e produtiva para milhões de brasileiros que empreendem em pequena escala ou complementam sua renda com essa atividade”, afirma Adriana Colloca, presidente da ABEVD.

SOBRE A ABEVD

Criada em 1980, a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD) é uma entidade sem fins lucrativos que busca promover e desenvolver a venda direta no Brasil, bem como representar e apoiar empresas que comercializam produtos e serviços por meio do relacionamento dos empreendedores independentes com seus consumidores finais. Acesse: www.abevd.org.br. A venda direta é um sistema de comercialização de produtos ou serviços, por meio do relacionamento ou influência entre empreendedores independentes e seus clientes, de forma presencial e/ou digital, fora de um estabelecimento comercial fixo. A ABEVD também compõe a World Federation of Direct Selling Associations (WFDSA), organização que congrega as associações nacionais de vendas diretas existentes no mundo. E pelo 4º ano consecutivo, a ABEVD foi reconhecida com o Platinum Status, considerado como o mais alto nível e que atende todos os parâmetros de governança para uma associação. Atualmente, cerca de 3 milhões de empreendedores independentes atuam em diferentes categorias, como produtos de saúde, beleza, utilidades domésticas, vestuário, alimentos, joalheria, entre muitos outros. A ABEVD hoje conta com cerca de 50 associadas, como:  Avon, Cacau Show, DeMillus, Herbalife, Hinode Group, Jequiti, Mahogany, Mary Kay, Natura, Tupperware, Yakult etc. Todas as empresas associadas à ABEVD passam por uma rígida análise em seu plano de negócio, oferecendo um maior nível de proteção ao consumidor e empreendedor independente. Confira as empresas associadas: www.abevd.org.brempresas-associadas/

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