Tapete vermelho para Lula no 1º de Maio em 16 de agosto

In ABCD, Canto do Joca On
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Tapete vermelho para Lula. Foto: Fernando Ferreira especial para ABCD Real

Joaquim Alessi

Aprendi há 50 anos, ao dedilhar as primeiras teclas de uma máquina de escrever Lexicon 90, tentando escrever as primeiras reportagens, que o jornalista deve evitar a primeira pessoa em seus textos. Mais do que isso: jornalista não é notícia.

Impossível, porém, deixar de compartilhar momentos quando se viveu a História em pele e osso, e tudo isso vem à mente no lançamento de mais uma campanha presidencial.

Aliás, primeiro, não é “mais uma” campanha. É “A” campanha, única, inigualável. Praticamente impossível de se repetir, seja como tragédia, ou farsa!

Estive nessa mesma Vila Euclides, no Estádio 1 de Maio, em 1979, cobrindo a greve geral que desencadeou tudo.

“Onde tudo começou”, como insiste em lembrar o nome do acontecimento histórico deste domingo, 16 de agosto de 2026.

Neste domingo, ao chegar, pouco depois de 8h “da madrugada” (para jornalista da velha guarda é mesmo madruga), confesso que não pensei primeiro em Lula.

Voava em lembranças e perguntava: onde estarão os demais líderes sindicais daquele 1979, com os quais eu conversava diariamente.

Vinha à mente Nelson Campanholo, Djalma Bom, Expedito Soares, Manoel Anisio, Zé Ferreira… tantos nomes, inúmeras figuras, até mesmo de alguns que hoje nem rezam pela mesma cartilha de Lula, a exemplo de Osmarzinho, Alemão…

Helicóptero branco da paz

Enquanto voava em pensamentos, já por volta de 9h, o helicóptero branco que trazia Lula sobrevoava o estádio para delírio de plateia ensandecida.

Imediatamente vieram à mente imagens dos helicópteros de 1979, escuros, diferentes do branco da paz, agressivos, torturantes, com sobrevoos ameaçadores.

Intimidadores, repressivos, mas sem conseguir que os metalúrgicos tirassem os pés do chão, da grama, e abandonassem suas lutas.

Quando Lula subiu ao palco, o alívio e a alegria da lembrança e do reconhecimento: os primeiros a ser chamados foram exatamente Nelsão (Campanholo velho de guerra), Djalma (muito Bom), Expedito (sempre diligente, como seu nome mesmo diz), Mané, Zé… e muito mais.

Como disse Lula em um momento do discurso, se fosse citar todos e tudo, a eleição de 4 de outubro acabaria e estaríamos, portanto, escrevendo ainda.

Claro que todos eles e mais o público do estádio reverenciaram Lula, estendendo o tapate vermelho para seu primeiro ato como candidato a mais uma reeleição.

Lula lá e aqui

Quando soaram as primeiras notas do famossísimo jingle de Hilton Acioli, encomendado em 1989 pelo publicitário Paulo Tarso Santos, mais lembranças.

Da mesma forma de ontem, primeiro dia de campanha, em 1979 Lula fazia uma “porta de fábrica” às 5h da manhã, na Volks.

Em cima do Gabriela, ônibus do sindicato que servia de palanque, estavam três jornalistas: Florestan Fernandes Jr., um correspondente de O Dia (Rio), que infelizmente não lembro o nome, e este repórter que aqui escreve.

Conversávamos com o “Baiano” (apelido de Lula entre os sindicalistas), quando alguém chegou com um gravador de pilha e uma fita cassete.

“Ficou pronto o jingle! Vamos ouvir?”, disse. Nem mesmo Lula ouvira antes a versão definitiva, que depois seria gravada por Chico, Djavan, Milton e muitos outros artistas.

Era, acima de tudo, o “Lula lá, brilha uma estrela…”

E a gente pensando ontem, em Vila Euclides: “E hoje, Lula aqui”.

Mesmo com toda a tecnologia, superprodução, extrema organização e avanços que se viu neste domingo, o que fica, em conclusão, é o resgate da Política em letras maiúsculas.

Lula deixou de lado ataques fáceis e baratos a adversários. Esqueceu da insignificante existência deles.

Anunciou que em 10 a 15 dias apresenta, ao lado de Geraldo Alckmin, um plano de governo robusto.

Mas, ja deu spoiler: está disposto a criar o Ministério da Segurança, assim que a PEC for aprovada pelo Congresso.

Em resumo, muito ainda vai acontecer nesta campanha, e que o caminho pelo tapete vermelho seja esse: de propostas, de propósito.

Esse é o papel de um Presidente!

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