Joaquim Alessi
Em almoço com jornalistas do ABCD, nesta quinta-feira (24.09), o ex-prefeito de São Bernardo, ex-deputado federal e ex-presidente da Anvisa, Dr. William Dib, demonstrou pessimismo com o futudo do País.
“Vivemos hoje a pior campanha eleitoral da história, hipócrita, sem debater projetos para o País; só vemos troca de acusações”, lamentou.
Com a experiência de quase 50 anos da vida pública, Dr. Dib manifestou o temor de que, “vença quem vencer, todo o Brasil vai perder”.
“Eu quero ser otimista, acreditar que algo possa mudar, mas não vejo políticos com propostas concretas para a população, notadamente a que mais precisa”, alertou.
Indagado sobre alguns acenos de se convoca nova Constintuinte, para mudar a Carta Magna, disse ser uma insanidade.
“O problema do Brasil não está na Constituição, está no excesso de leis desnecessárias e absurdas”, sentenciou, em resumo.
Para ele, em outras palavras, a ideia de mudar a Constituição faz parte de uma ameaça ao estado de direito democrático.
Bancada do ABCD
Sobre a possibilidade de o ABCD aumentar sua bancada na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal, Dib afirmou que gostaria de acreditar, mas revelou-se receoso.
“É um palpite, até porque é muito difícil saber quantos votos cada candidato poderá ter, aqui ou fora, mas temos candidatos demais, e isso atrapalha”, ensinou.
Perguntado sobre seus candidados em São Bernardo, lembrou que quase todos os pretendentes hoje são candidatos da máquina, da Prefeitura.
“Do outro lado só há duas candidaturas a deputado estadual e um a federal, e eu estou desse lado”, disse, em conclusão.
Mais de um milhão de mortos na pandemia
Dr. Dib presidiu a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) até dezembro de 2019, pouco antes da pandemia da Covid 19.
Aliás, seu último ato antes de deixar a Anvisa foi assinar um comunicado para que fosse redobrada a atenção nos portos e aeroportos.
“Infelizmente, autoridades preferieram fazer campanha contra a vacina, dizendo não ser coveiros, e deu no que deu”, lembrou.
Destacou ainda: “Falamos em 700 mil mortes no Brasil, mas estudo recente da OMS (Organização Mundial da Saúde) revela que esse número passa de um milhão de pessoas”.
Ele assinalou que esse levantamento leva em conta, por exemplo, quem teve outro problema de saúde à época, tipo um infarto, um diagnóstico de câncer, ou outra doença, não pôde se tratar porque não havia leitos disponíveis nos hospitais.
“O desprezo pela vida humana demonstrado pelas autoridades daquele período foi o maior crime cometido contra a sociedade”, disse, em conclusão.
