Sérgio Cabral descobriu a Cultura do Brasil com Jornalismo de verdade

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Sérgio Cabral/Reprodução TV Globo

Guttemberg Guarabyra e Joaquim Alessi

Jornalista, acima de tudo, também compositor e exímio pesquisador da música brasileira, Sérgio Cabral nos deixa aos 87 anos.

Carioca de Cascadura, literalmente escrevendo, é responsável direto, por exemplo, pela valorização da cultura nacional.

Portelense, amava a Mangueira, o Salgueiro, o Império Serrano… amava o Samba.

Aliás, é de Sérgio Cabral, em parceria com Rildo Hora, o grande clássico “Menino da Mangueira”.

“Um menino da Mangueira/ Recebeu pelo Natal um pandeiro e uma cuíca/ Que lhe deu Papai Noel, um mulato sarará/ Primo-irmão de dona Zica…”

Um dos criadores do sensacional “O Pasquim”, ao lado de Tarso de Castro, Jaguar e outros.

Foi preso por ousar a fazer Jornalismo com a publicação. Isso em 1969, em plena ditadura militar em seu período mais cruel.

Escreveu uns 20 livros, entre os quais as biografias de Tom Jobim, Pixinguinha, Nara Leão, Grande Otelo, Ataulfo Alves e Eliseth Cardoso.

Mas, muito já se falou e vai se falar sobre ele, que tem o corpo velado nesta segunda (15.7) na sede náutica do seu amado Vasco da Gama.

Boteco do Cabral

Nossa lembrança aqui, portanto, é de um momento muito especial com Sérgio Cabral, entre o fim do ano 2.000 e início de 2.001.

Sérgio Cabral apresentaria no SESC Ipiranga seu espetáculo “Boteco do Cabral”.

Em um cenário que era um bar de verdade, com garçom servindo chopp bem tirado, tira-gostos, recebia convidados e narrava histórias maravilhosas na música brasileira.

Para essa apresentação, convidou Guarabyra (agora quem escreve é apenas Joaquim Alessi), que convidou Joaquim e Rosana para estar no palco.

Que privilégio! Que honra! Ter aquele aula de história da Cultura Brasileira, no palco, com o Mestre, e ainda bebericar um choppinho…

Lembro que na plateia estavam dois outros grandes jornalistas, do Ipiranga News e Jabaquara News: os amigos Mauro Ramos de Oliveira e Luiz Antônio de Paula.

Embriagados de tanta informação delirante, nem pensamos em registrar as imagens. Até porque nem se falava em selfies naquele momento.

Mas, na memória ficou todo o ensinamento.

Assim, como tudo o que está em mais de 60 itens que Sérgio Cabral deixou de acervo, que está no Museu da Imagem do Som, no Rio.

Lembro que quando o Gut (Guarabyra) me apresentou e disse que eu estava diretor de Redação do Diário Popular (já adquirido pelas Organizações Globo), Cabral demonstrou sua eterna humildade e gratidão e disse: “Você está com ótimos patrões, os Marinho..”

Ou seja, em conclusão, um Jornalista fazendo jus à História. Jornalista de Verdade!

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