Dia Nacional da Visibilidade Trans

In ABCD, Artigo On
Robson de Carvalho *
É celebrado em todo o Brasil, no dia 29 de janeiro, o Dia Nacional da Visibilidade Trans, data que pretende marcar a luta por respeito, dignidade e direitos para todas as pessoas transexuais e travestis. O dia escolhido relembra a campanha Travesti e Respeito, lançada em Brasília em 2004 quando, pela primeira vez, uma comitiva foi até a Capital do País para cobrar por políticas públicas para essa população.
Pessoas trans e/ou travestis são aquelas que em algum momento da vida não se identificam com o gênero que lhes foi atribuído no nascimento, seja na infância, adolescência ou idade adulta. Não é obrigatório fazer cirurgias ou usar hormônios para ser trans, e também não existe um jeito certo ou errado de a pessoa expressar e viver o seu gênero.

O Brasil é o País onde mais ocorrem assassinatos de pessoas trans no mundo, sendo a maioria das vítimas composta por mulheres trans e travestis. O País também é o maior consumidor de conteúdo pornográfico com a temática trans do mundo, o que explicita a relação desrespeitosa que se estabeleceu na sociedade com pessoas que, apenas por não se enquadrarem no que é a norma, são perseguidas. Essa perseguição faz com que a expectativa de vida de uma pessoa trans seja de 35 anos. A média cai para 28 anos se a pessoa for preta.

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) produz há seis anos um dossiê que registra esses assassinatos. No último dia 26 de janeiro, pela primeira vez, o documento foi apresentado à ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e ao ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida. Envolver o poder público no combate à violência contra pessoas trans é a única forma de conseguirmos uma real mudança nesse cenário. Desde 2017, foram 912 registros, mas especialistas afirmam que a subnotificação é grande.

É preciso educação, primeiro para acabar com a histeria que se formou em torno do termo “ideologia de gênero”, que nunca existiu de verdade. Se existisse, a ideologia seria a cisheteronormativa, já que são apenas as pessoas que se encontram fora dessa “norma” que são perseguidas e excluídas. Ninguém é morto apenas por ser cisgênero. Ninguém é agredido apenas por ser hétero.

Também há necessidade de abordar, com toda a sociedade, inclusive e principalmente dentro das escolas, temas como respeito à identidade e à expressão de gênero, à orientação sexual, às diferenças, que são o que fazem de cada ser humano um universo único. Aqui em Diadema, por meio da Coordenadoria de Políticas de Cidadania e Diversidades, criada em 2021, temos empenhado todos os esforços possíveis para mudar essa realidade.

Como parte do governo do prefeito José de Filippi Junior e em articulação com outras Secretarias, a Coordenadoria já realizou e apoiou importantes projetos, como webdocumentário, “Vidas Trans Importam”; campanha de retificação de nome e sexo; formação profissional para pessoas trans serem inseridas no mercado de trabalho; a criação do Ambulatório DiaTrans, que atende com equipe multidisciplinar pessoas trans e travestis; um Grupo de Trabalho Intersecretarial para debater dentro da administração medidas que combatam a LGBTQIfobia; a cartilha de orientação para retificação de documentos, entre outros.

Uma série de iniciativas que nos orgulham de dizer que, na nossa cidade, pessoas trans e travestis têm visibilidade e direitos em todos os dias do ano.

* Robson de Carvalho é funcionário público, coordenador de Políticas de Cidadania e Diversidades e um dos fundadores da Associação Viva Diversidade

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