Município inicia instalação de 500 Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs) na Vila São Pedro; medida utiliza o Aedes aegypti para levar larvicida a outros criadouros e interromper ciclo de reprodução
Liderança regional no combate à dengue, a Prefeitura de São Bernardo, sob gestão de Marcelo Lima, iniciou a instalação de 500 EDLs (Estações Disseminadoras de Larvicida) em imóveis residenciais e comerciais da Vila São Pedro, região do Montanhão. As EDLs são uma tecnologia desenvolvida pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e que tem como objetivo reduzir o número de mosquitos Aedes aegypti, vetor de arboviroses como dengue, Zika e chikungunya.
São Bernardo foi escolhida em ação conjunta com o Ministério da Saúde para receber a iniciativa. A Vila São Pedro foi definida como o ponto inicial de implantação dos dispositivos. Desde a última quarta-feira (12/8), as equipes de ACEs (Agentes de Combate às Endemias), da Divisão de Veterinária e Controle de Zoonoses (CCZ), têm percorrido as ruas do bairro, explicando para os moradores sobre o funcionamento das EDLs e instalando os equipamentos. Já foram colocadas cerca de 150 EDLs na localidade.
O coordenador das equipes de combate de endemias do CCZ, Ronaldo Novaes de Souza, pontuou que o dispositivo consiste em um recipiente com água, onde fica boiando um flutuador. Esse flutuador tem uma tela com larvicida. Quando a fêmea entra para pôr os ovos, se contamina e leva o larvicida para outros locais. O larvicida vai impedir que as larvas dos próximos criadouros onde ela entrar se desenvolvam para virarem novos mosquitos e, a médio e longo prazos, impactar na queda da quantidade de mosquitos.
REDUÇÃO NOS CASOS – “Nós iremos utilizar a própria firma do mosquito Aedes aegypti para aplicar o larvicida em outros criadouros. Este larvicida tem como princípio ativo inibir o desenvolvimento das larvas. Ou seja, iremos diminuir o ciclo evolutivo das larvas para diminuir a incidência do Aedes aegypti e, consequentemente, isso vai impactar de forma positiva nos casos de dengue do município”, completou Ronaldo.
Uma das moradoras que aceitou instalar o dispositivo na sua residência foi Sheila Íris, de 46 anos. Ela já teve dengue e se recorda de ter ficado muito mal, com dores fortes pelo corpo. “Qualquer coisa que a gente possa fazer para acabar com esse mosquito vai ser ótimo”, afirmou. Antonia Mendes Feitoza, 67 anos, também recebeu a equipe e elogiou a iniciativa da Prefeitura. “Se ajuda a acabar com a doença é bom”, afirmou.
A instalação das EDLs é a segunda fase da estratégia de combate à dengue usando tecnologias em São Bernardo. Em junho, foram instaladas seis ovitrampas, pequenos potes plásticos com água e levedo de cerveja no seu interior e uma lâmina onde a fêmea do Aedes, atraída pelo levedo, vai botar seus ovos. O propósito era identificar o nível de infestação do mosquito. As residências que receberam os dispositivos também ficam na Vila São Pedro. A escolha da localidade pelo Ministério da Saúde para receber os equipamentos e a nova tecnologia no combate à dengue se deve ao fato da região ser uma das 20 maiores comunidades do Brasil.
COOPERAÇÃO – O coordenador do CCZ destacou a importância dos moradores receberem as EDLs em suas residências e de não mexerem no equipamento até que os técnicos retornem, no período de um mês, para checar o nível de água. “Vamos acompanhar e monitorar todas as 500 EDLs, que vão permanecer nos imóveis por seis meses”, afirmou Ronaldo.
“No futuro, essa tecnologia vai ser aplicada em outras regiões da cidade para que a gente possa realmente acabar com os mosquitos. É importante também a população fazer a sua parte, não deixando a caixa de água sem tampa ou mal tampada e eliminando todos os locais onde possa acumular água. As mudanças climáticas do El Niño, com mais chuvas e mais calor, são um desafio extra no combate à dengue”, acrescentou.
