Baterista já acompanhou nomes como Leon Beal(EUA), João Bá e Sérgio Duarte, e busca apoio para concluir “Pablo Marchatto & Coletivo Camalote”
Em um cenário onde cada vez mais artistas independentes buscam caminhos alternativos para viabilizar seus projetos, o músico Pablo Marchatto, do ABCD, decidiu, em primeiro lugar, transformar o lançamento de seu primeiro álbum autoral em um movimento coletivo.
Com campanha de financiamento aberta até 13 de julho, o baterista, compositor e pesquisador busca, acima de tudo, arrecadar recursos para concluir as etapas finais de “Pablo Marchatto & Coletivo Camalote”, disco que reúne quase uma década de composições, encontros e experimentações musicais coletivas.
A iniciativa pretende financiar, por exemplo, os processos de mixagem, masterização, fabricação física e divulgação do álbum.
Como contrapartida, os apoiadores recebem recompensas.
Elas vão, em suma, desde experiências exclusivas até uma edição especial do disco acompanhada de brindes e acesso a show intimista de pré-estreia.
“A campanha é uma forma de convidar as pessoas para fazerem parte do nascimento desse trabalho. O disco já está sendo gravado, mas agora precisamos concluir a etapa final para colocá-lo no mundo. É um projeto independente que só existe porque muitas pessoas acreditaram nele ao longo do caminho”, afirma, em resumo, o compositor.
Fundação das Artes
Embora este seja seu primeiro álbum como compositor à frente de um projeto autoral, sua trajetória na música soma, portanto, mais de duas décadas.
Nascido em São Caetano do Sul, iniciou os estudos ainda criança na Fundação das Artes, passou pelo Centro de Orientação Musical, com Alaor Neves, pelo Instituto Vera Figueiredo e pela Faculdade Cantareira, onde aprofundou seus estudos sob orientação do baterista Bob Wyatt.
Ao longo da carreira, acompanhou, alpem disso, artistas como João Bá, Katya Teixeira, Zé Helder, Grupo Comboio, Marcos Ottaviano, Roberta Campos, Robson Fernandes, Fabrício e Fabrini e Lula Barbosa, transitando entre a música popular brasileira, a canção de raiz e a cena independente.
Sua formação também ganhou dimensão internacional. Em 2011, participou do Festival de Jazz da Argentina e foi selecionado como bolsista para o programa Jazz Ensemble da Waltons New School, na Irlanda, em 2014. A experiência o levou ainda à Universidad del Flamenco, em Madri, onde aprofundou pesquisas sobre ritmos flamencos. No exterior, integrou grupos como o Chris John Quintet, da Polônia, e realizou apresentações ao lado de músicos como John Daly e Leon Beal (EUA) e participou de festivais na Inglaterra, Espanha, Portugal, Argentina, Uruguai e Irlanda.
Mais recentemente, lançou o livro “Maracatu, uma tradição cultural brasileira”, resultado de uma pesquisa sobre manifestações musicais brasileiras.
Um disco gestado por quase 10 anos
Mas, curiosamente, a origem do álbum não nasceu da intenção de gravar um disco.
A primeira semente surgiu em 2017, quando Marchatto compôs “Março” como presente para sua mãe.
“Eu sempre fui muito ligado à música instrumental e trabalhei com artistas dentro do repertório da canção. Quando terminei aquela canção, percebi que queria explorar a relação entre letra e música de uma forma diferente. Foi um desafio que acabou abrindo um novo caminho criativo para mim”, relembra.
A partir daí, o músico passou anos escrevendo, revisitando composições e compartilhando ideias com outros artistas.
O resultado é um repertório formado por sete a oito faixas: “Religião de Nós”, “Chegar”, “Sete Sóis”, “O Que Ficou”, “Março”, “Estrada dos Abraços” e “Por Favor Abra Seu Coração”, em que é acompanhado pelo Coletivo Camalote, formado pelos músicos Raquel Bernardes (voz), Yuri Augusto (guitarra), Breno Rodrigues (piano) e Maurício Gerace (baixo), além de diversas participações especiais.
As canções transitam entre a tradição da MPB, a sofisticação harmônica do jazz e influências que passam por Toninho Horta, Lô Borges, Marlui Miranda, Almir Sater e Egberto Gismonti.
O trabalho também incorpora elementos da música instrumental contemporânea e da paisagem sonora latino-americana.
O conceito do álbum está sintetizado, da mesma forma, no próprio nome do grupo.
Inspirado pelos camalotes, formações vegetais flutuantes encontradas em rios do Pantanal, o projeto foi concebido como um organismo vivo, em constante movimento.
“Os camalotes filtram as águas, mas também podem se desprender e seguir seu próprio caminho. Vejo esse disco assim. Ele nasceu a partir da colaboração de muitas pessoas, ganhou vida própria e agora precisa seguir o curso do rio para encontrar seu destino”, diz, em conclusão, o músico.
Serviço
Campanha de financiamento coletivo: até 13 de julho
Cota especial de apoio: R$ 250
Recompensas: disco físico autografado, brinde exclusivo e acesso a show intimista de pré-estreia, além de outras experiências oferecidas pelo projeto.
Mais informações e contribuições: https://benfeitoria.com/projeto/pablo-marchatto-amp-coletivo-camalote-25pl
Instagram: @pablomarchatto
