Região tem 417.101 empresas ativas; escritórios de contabilidade reforçam treinamento de equipes e orientação a clientes durante a transição
A Reforma Tributária começa a chegar às questões práticas do dia a dia das empresas. No ABCD, com 417.101 empresas ativas, segundo dados de julho de 2026 do Observatório do Sebrae, dúvidas sobre emissão de notas fiscais, sistemas, formação de preços, contratos e tratamento tributário passaram a fazer parte das conversas entre empresários e escritórios de contabilidade.
A mudança ocorre em uma fase em que o calendário de implementação do novo sistema já estabelece prazos para adequação de documentos fiscais eletrônicos. Algumas etapas começaram em agosto de 2026 e outras estão previstas para os próximos meses e para 2027, o que exige acompanhamento por parte das empresas e dos fornecedores de sistemas.
O cenário ainda é de preparação. Pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realizada com 312 indústrias, apontou que 48% das empresas consultadas ainda não haviam iniciado ações estruturadas para a transição. O levantamento não representa especificamente o ABCD, mas mostra que parte do setor produtivo ainda está na fase de compreender como deverá se organizar para as mudanças.
Entre as empresas, uma das principais questões é entender o que efetivamente muda para cada negócio. A Reforma Tributária não terá o mesmo impacto para todos: regime tributário, atividade econômica, cadeia de fornecedores e características da operação interferem na forma como cada empresa deverá se preparar.
Em Santo André, o Grupo MCR Contabilidade e Auditoria vem realizando treinamentos sobre a Reforma Tributária do Consumo com suas equipes e webinars para clientes. Os encontros têm abordado as novas regras e as dúvidas que começam a surgir na aplicação da reforma.
Para o sócio do Grupo MCR, Mafrys Gomes, o primeiro passo é evitar uma preparação baseada em uma regra única.
“Não existe uma preparação única para todas as empresas. O regime tributário, a atividade e a própria operação fazem diferença. Por isso, é importante identificar quais mudanças se aplicam a cada negócio e quais processos precisam ser revistos.”
As cinco dúvidas que entram no radar das empresas
- Minha empresa está no Simples Nacional. O que muda?
O Simples Nacional permanece, mas haverá regras específicas para IBS e CBS a partir de 2027. As empresas precisam acompanhar as opções e os prazos definidos para o novo modelo e avaliar qual tratamento será mais adequado à sua realidade.
- Vou precisar mudar meu sistema ou a emissão de notas?
A adequação dos sistemas é uma das questões que já precisa entrar no planejamento. O cronograma oficial estabelece diferentes datas para a adaptação dos documentos fiscais eletrônicos, conforme o tipo de documento e contribuinte. Por isso, a empresa deve verificar se o sistema utilizado está preparado para as novas informações exigidas.
- A Reforma Tributária vai mudar o preço que cobro?
Não existe uma resposta única. O efeito sobre os preços dependerá da atividade, do regime tributário, da estrutura de custos, da cadeia de fornecedores e da possibilidade de apropriação de créditos.
“Não dá para afirmar que toda empresa vai simplesmente aumentar ou reduzir seus preços por causa da Reforma Tributária. É preciso analisar a operação, os créditos, os fornecedores e a estrutura de custos antes de tomar uma decisão.”
- Preciso rever contratos com clientes e fornecedores?
Contratos de médio e longo prazo merecem atenção, especialmente aqueles que continuarão vigentes durante diferentes etapas da transição. A análise pode envolver cláusulas relacionadas a tributos, reajustes, formação de preços e responsabilidades entre as partes.
- Se ainda não comecei a me preparar, estou atrasado?
Não existe um prazo único para todas as empresas, já que as obrigações variam conforme atividade, regime e documento fiscal. Mas 2026 já é um período de testes e adequações para IBS e CBS, e o calendário oficial prevê novas etapas nos próximos meses e em 2027.
Para Mafrys, o momento exige planejamento, mas não deve ser tratado como motivo para decisões precipitadas.
“O empresário não precisa tentar antecipar toda a reforma. Precisa entender quais são os próximos passos para a realidade da empresa, verificar os sistemas, acompanhar os prazos e avaliar os processos que podem ser afetados.”
A experiência dos escritórios de contabilidade também mostra uma mudança na forma de comunicação com os clientes. Além do trabalho técnico, os profissionais precisam transformar a regulamentação em orientações que possam ser aplicadas às diferentes situações encontradas nas empresas.
A transição para o novo sistema tributário será gradual e continuará nos próximos anos. Para os empresários, o desafio é acompanhar as etapas e identificar com antecedência quais mudanças podem afetar a operação, enquanto os escritórios de contabilidade assumem papel de orientação durante esse processo.
