Networking de verdade não cabe em cartão de visita

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Clara Laface

Por Clara Laface*

Muitos acreditam que networking virou um termo batido, mas a nossa habilidade em construir relações é antiga. Yuval Noah Harari mostra em Sapiens como humanos avançaram ao criar confiança e cooperação em escala. Conectar pessoas é isso: uma habilidade evolutiva e não um truque de carreira.

O erro mais comum é confundir networking com aparecer em tudo. Por anos, o mundo corporativo vendeu a ideia de que estar presente equivale a ter acesso. Trocar cartão, sorrir, circular dá sensação de movimento, mas não cria vínculo que sustente nada.

Rede de verdade nasce de outro lugar: saber o que você oferece, para quem isso importa e em que contexto faz sentido. Daí vem a escolha certa de onde estar, a constância nas relações e uma reputação construída por entregas. E quando isso se firma, a rede deixa de ser número e se torna capital social: informação, credibilidade, apoio, abertura de portas. Isso só existe quando as pessoas reconhecem coerência e valor em você. Capital social e posicionamento profissional são a mesma moeda.

Tem gente que trata a rede como atalho. Usa contato sem reciprocidade, manipula informação, se promove sem parar. Isso corrói confiança rápido. A ideia de que “competição justifica jeitinho” é confortável, mas furada: competição de verdade não dispensa ética.

A diferença está na intenção. Networking só comercial gera troca rasa. Networking como relação gera redes que circulam informação boa, abrem perspectiva e sustentam as melhores decisões. Gente que cultiva isso espalha transparência e colaboração ao redor, e isso se multiplica. Um líder que age assim influencia quem está perto, que passa a agir do mesmo jeito com sua própria rede. É um efeito cascata positivo.

Relação genuína tem três marcas: valor claro, coerência entre o que se diz e o que se faz, e disposição de ajudar sem cobrar volta. Isso dura. E tem efeito social quando abre espaço para quem normalmente não teria acesso, ou apoia trajetórias que estão começando. O mercado continua competitivo, mas passa a caber cooperação dentro dele, e isso muda o ambiente para todo mundo, não só para quem já está bem posicionado.

Networking é sobre gente. Cada conversa pode abrir um caminho que você não veria sozinho. Liderança não se sustenta isolada. Ela cresce ao encontrar outras histórias, outros olhares. Quem cuida das conexões com respeito deixa rastro. E quem constrói futuro, nunca caminha só.

Sobre Clara Laface

Consultora em posicionamento de marca pessoal, apoia líderes, executivos, empresários e profissionais em fases de crescimento, reposicionamento ou recolocação no mercado. No ambiente corporativo, atua em comunicação interna e gestão de crise, com foco no alinhamento de mensagens, fortalecimento da cultura e engajamento de equipes. Ministra treinamentos e palestras sobre posicionamento profissional e comunicação. Foi VP de Marketing da AICI Brasil (2022–2024), é colunista do Portal Be News e docente na Comunica Escola de Comunicação e Imagem.

Clara Laface

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