Joaquim Alessi
Em 1975 decidi ser jornalista. E um dos motivos para esta decisão estava em um jornal da imprensa alternativa que acabara de ser lançado: Movimento.
Seu criador, um dos profissionais mais emblemáticos da Imprensa nacional, Raimundo Rodrigues Pereira, nos deixa neste sábado (02.05), aos 85 anos.
Mestre, com trabalho espetacular na chamada Grande Impensa (Realidade, Veja, Estadão…), teve trabalho essencial, porém, com o Movimento.
Era uma época difícil. Ditadura militar que não tinha nada de branda, como certa feita escreveu em editorial o Folhão, em um erro de avaliação lamentável.
Na ditadura militar, com censura e repressão, Raimundo integrou uma geração de jornalistas que enfrentou o autoritarismo com informação, análise crítica e defesa da democracia.
Foi, da mesma forma, figura central na resistência ao regime opressor.
O Movimento tornou-se um dos principais símbolos dessa resistência.
Liderado por Raimundo, destacou-se por denunciar abusos do regime em reportagens críticas em defesa das liberdades democráticas.
Expressão
Muito mais do que jornal, o Movimento impresso era a expressão de um espaço de articulação política e social, reunindo vozes silenciadas pela ditadura.
Era de uma corrente política, claro, assim como o Versus (de outrra corrente) e muito mais, mas todos fazendo Jornalismo com caixa alta na ação, mas caixa baixa nas finanças.
Sob forte pressão, o jornal enfrentava censura prévia, cortes frequentes e dificuldades financeiras.
Não foram pucas as edições com espaços em branco que evidenciavam a interferência do regime e a limitação à liberdade de imprensa.
Mesmo assim, Raimundo manteve uma linha editorial firme, apostando no Jornalismo como instrumento de transformação social.
Pernambucano de Exu, Raimundo construiu uma trajetória marcada pela defesa de um jornalismo crítico e independente.
Voltado, segundo suas próprias palavras, à “elevação do padrão material e cultural do povo”.
