Em plenária, os trabalhadores e trabalhadoras na Movent, em Diadema, autorizaram que o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC tome as medidas políticas e jurídicas que assegurem os direitos da companheirada.
A reunião teve por objetivo, além disso, encaminhar as próximas ações.
Com respaldo dos Metalúrgicos do ABC, parte do pessoal segue, acima de tudo, acampado em frente à fábrica para garantir que nenhum bem seja retirado.
A fábrica está com a produção paralisada desde janeiro por falta de matéria prima e outros insumos.
Os primeiros indícios da má administração começaram a aparecer em 2018, quando a empresa Dana foi adquirida pelo Grupo Movent.
A Justiça, recentemente, rejeitou o pedido de recuperação judicial da empresa em razão das seguidas violações de direitos e má gestão.
O presidente do Sindicato, Moisés Selerges, criticou a administração da Movent e reforçou que a decisão dos Metalúrgicos do ABC precisa ser assertiva.
“A situação poderia ser outra, porque sabemos que a empresa tem capacidade de produzir, tinha uma carteira boa de clientes, o grande problema é que são pessoas que agem de má-fé. Mas precisamos ser realistas e pragmáticos, vamos tomar as medidas necessárias”, disse.
“Diante de tantos problemas, nós resolvemos, mais uma vez, convocar trabalhadores para encaminhar novas ações junto à Justiça do Trabalho. Faremos o pedido de penhora de bens e por fim, se for o caso, vamos entrar com o pedido de falência para garantir os direitos desses trabalhadores”, esclareceu o coordenador da Regional Diadema, Antonio Claudiano da Silva.
“Vamos lutar até o fim para garantir que os bens sirvam principalmente para pagar as verbas devidas a esses trabalhadores e trabalhadoras. Precisamos estar unidos, firmes no propósito e seguindo as orientações do Sindicato”, prosseguiu.
Histórico da crise
A crise começou em julho de 2018 quando a empresa Dana foi adquirida pelo Grupo Movent.
Os atrasos salarias e o não pagamento do FGTS passaram a ser frequentes.
Além disso, outros problemas como atrasos em salários, férias, 13º, PLR (Participação nos Lucros e Resultados), plano médico e demais direitos também se tornaram rotina.
No início de 2023, a empresa mantinha cerca de 440 trabalhadores, contudo, a partir de abril daquele ano, passou a reduzir drasticamente o número de metalúrgicos.
Foram 282 demissões em diferentes períodos do ano sem pagamento das verbas rescisórias.
Ainda em 2023, a autopeças ingressou com um pedido de recuperação judicial.
Em 2024, a empresa voltou a demitir em massa trabalhadores, com a mesma postura de não pagamento de direitos.
Ao longo de todo este período, foram vários acordos celebrados entre Sindicato e Movent, jamais cumpridos integralmente pela empresa.