A obra Tamboralidade negra: música e relações étnico-raciais reúne reflexões que, a partir de diferentes objetos, convergem para uma mesma constelação teórica e política: a música negra como forma de memória, resistência, invenção de mundo e elaboração de pertencimentos.
Mais do que tomar a música como tema isolado, este livro a compreende, em primeiro lugar, como linguagem social, corpo em movimento, arquivo de ancestralidades e prática de conhecimento, capaz de iluminar processos históricos, culturais e educativos inscritos nas relações étnico-raciais no Brasil.
Ao longo dos capítulos, o livro percorre, acima de tudo, manifestações como o samba, o maracatu, o samba-reggae, a canção popular, a trilha sonora cinematográfica e as sonoridades de matriz afro-indígena, mostrando como nelas se articulam estética e política, sensibilidade e luta, memória coletiva e imaginação social.
O conceito de tamboralidade negra nomeia precisamente esse campo de forças em que ritmo, corporeidade, oralidade, territorialidade e experiência comunitária se entrelaçam, desafiando leituras eurocêntricas da cultura e afirmando outras formas de sentir, pensar e educar.
Nessa perspectiva, a publicação propõe uma escuta crítica das musicalidades negras e de suas reverberações no cinema, na festa popular, na educação e na vida cotidiana.
Trata-se de reconhecer que a música, aqui, não comparece apenas como expressão artística, mas como princípio organizador de visões de mundo, como pedagogia do sensível e como dispositivo de afirmação ontológica da negritude.
Ao reunir textos de Celso Luiz Prudente, Prof. Dr. Celso Luiz Prudente, livre-docente em Cultura Afro-brasileira e Indígena, Cinema e Hermenêutica pela Faculdade de Educação da USP, entre outros título, com parceiros e parceiras de pensamento, pesquisa e vida, o livro compõe uma escrita em coro, coerente com o universo que investiga: plural, relacional, diaspórico e insurgente.
