Sua marca pessoal está sendo construída por você ou pelo seu mercado?

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Clara Laface

Por Clara Laface*

No mercado, basta acompanhar alguns profissionais por algumas semanas para perceber como os padrões se repetem. A mesma estética, os mesmos temas, os mesmos formatos de conteúdo, o mesmo vocabulário e, às vezes, até a mesma forma de contar uma história.

Isso não acontece por acaso. Quando alguém conquista espaço, passa a ser uma inspiração para quem deseja alcançar resultados parecidos. O comportamento é totalmente compreensível. Referências ajudam a entender o que o mercado valoriza, quais códigos facilitam a entrada em determinados ambientes e como pessoas bem-posicionadas constroem presença.

Infelizmente, na maioria dos casos, não é o que vemos. A referência se torna um roteiro que a pessoa acredita que deve seguir. Você não distingue mais os profissionais do mesmo nicho, já que todos se posicionam da mesma forma.

A pessoa passa a trabalhar a própria imagem para se aproximar de um padrão já validado. Troca palavras que usaria naturalmente por outras que parecem mais “sofisticadas e elegantes” (e que não se conectam com o seu público-alvo). Escolhe assuntos que funcionam para os outros, mesmo quando não fazem parte do seu repertório. Ajusta tudo o que julga errado para caber em uma realidade que não condiz com o objetivo inicial.

O resultado pode até parecer bom por fora. Só que, quando várias pessoas fazem o mesmo movimento, fica cada vez mais difícil distinguir uma da outra. E isso tem impacto direto na lembrança que fica na mente das pessoas.

As pessoas tendem a associar nomes a características específicas. Uma forma de pensar, uma maneira particular de explicar um assunto, uma história de vida, uma competência muito clara. Quanto mais nítidas essas associações, maior a chance de alguém lembrar de você pelos motivos certos e diante de oportunidades que façam sentido para onde você quer chegar na carreira. Por isso, referência precisa ter limite.

Você pode – e deve – aprender com profissionais que admira. Mas também precisa preservar aquilo que não cabe perfeitamente no molde de ninguém. A sua trajetória e a sua forma de interpretar situações talvez não pareçam as mais óbvias, mas podem ser justamente o que cria reconhecimento e o diferencia na arena de leões do mercado.

Se todo mundo aprende a parecer relevante do mesmo jeito, ser percebido como mais um profissional competente passa a valer pouco. O mercado já tem muitas cópias bem executadas. O que ele tende a lembrar é quem conseguiu construir associações próprias.

*Clara Laface

Consultora em posicionamento de marca pessoal, apoia líderes, executivos, empresários e profissionais em fases de crescimento, reposicionamento ou recolocação no mercado.

No ambiente corporativo, atua em comunicação interna e gestão de crise, com foco no alinhamento de mensagens, fortalecimento da cultura e engajamento de equipes. Ministra treinamentos e palestras sobre posicionamento profissional e comunicação. Foi VP de Marketing da AICI Brasil (2022–2024), é colunista do Portal Be News e docente na Comunica Escola de Comunicação e Imagem.

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