Governo, indústria e entidades técnicas destacaram, em São Paulo, avanços do programa e a importância da certificação sustentável para ampliar inovação, escala e inserção internacional da indústria brasileira
A Secretaria de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) promoveu, na segunda-feira (25.05), em São Paulo, no auditório da Abiquim, o evento “Selo Verde Brasil: Um Marco para a Indústria Sustentável”.
O mesmo reuniu representantes do governo, da indústria e de entidades técnicas.
Todos para debater, em primeiro lugar, os avanços do Programa Selo Verde Brasil e o fortalecimento da economia verde no País.
A iniciativa estabelece diretrizes nacionais para a certificação de produtos e serviços sustentáveis, alinhada à Missão 5 da Nova Indústria Brasil (NIB).
Além disso, já conta com duas normas publicadas e outras duas em fase de consulta nacional.
Alavanca de competitividade
Na abertura, a secretária de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do MDIC, Julia Cruz, destacou que a agenda de sustentabilidade precisa funcionar como “uma alavanca de competitividade” para a indústria brasileira.
Segundo ela, o País reúne vantagens estratégicas para liderar a transição para uma economia de baixo carbono.
Mas, é necessário garantir condições para que as empresas transformem sustentabilidade em mercado, renda e desenvolvimento industrial.
“A indústria precisa crescer no Brasil. Para crescer, ela precisa ser competitiva, inovadora e sustentável”, afirmou, em suma.
A secretária Julia também ressaltou que o Programa Selo Verde vai além da criação de normas técnicas, ao prever capacitação e consultoria para empresas adequarem seus processos produtivos às exigências ESG e ampliarem acesso a mercados cada vez mais exigentes.
A partir da esquerda: Julia Cruz (MDIC), Mario Willian Esper (ABNT), Rogério Dias Araújo (ABDI), Roberto de Medeiros Junior (SENAI) e a deputada federal Tabata Amaral. Crédito: Abiquim/Divulgação
Papel das normas técnicas
O presidente da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Mario William Esper, reforçou, por exemplo, o papel das normas técnicas como instrumento de competitividade, transparência e valorização dos produtos brasileiros.
Ele destacou, em suma, o lançamento da norma ABNT NBR 17296, voltada ao setor vidreiro.
Lembrou, da mesma forma, que a norma ABNT NBR 17283, publicada em março, contempla o setor químico, estabelecendo critérios ambientais, sociais e de governança aplicáveis ao polietileno e ao termoplástico renovável.
“O Selo Verde Brasil é um instrumento de transformação, que amplia a confiança do mercado e abre novas oportunidades comerciais no Brasil e no exterior”, afirmou, em resumo.
Representando a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o gerente de Fomento às Estratégias ASG, Rogério Dias Araújo, destacou que a proposta do programa é promover a competitividade dos produtos brasileiros sustentáveis e ampliar sua rastreabilidade. Ele também mencionou a parceria entre a ABDI e a Abiquim voltada ao fortalecimento da química sustentável.
Construção conjunta
Já o superintendente de Inovação e Tecnologia do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Roberto de Medeiros Junior, ressaltou a construção conjunta do programa entre governo, indústria e academia. Segundo ele, o SENAI conduzirá uma etapa piloto de capacitação e acompanhamento das empresas participantes, contribuindo também para o aperfeiçoamento contínuo da iniciativa. “O Selo Verde deve ser visto como um fator de competitividade para a indústria nacional”, afirmou.
A deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), autora da emenda parlamentar que viabilizou as etapas iniciais do programa, destacou a importância de políticas públicas estruturantes e de longo prazo para preparar a indústria brasileira para os desafios da transição sustentável.
“Temos uma oportunidade histórica. O Brasil reúne estabilidade institucional, matriz energética limpa, biodiversidade e uma indústria forte. Não podemos perder essa oportunidade”, declarou.
Setor produtivo defende sustentabilidade como diferencial competitivo
A partir da esquerda: Janaina Donas (Abal), Lucien Belmonte (Abividro), Rafael Ribeiro (Abravidro), André Passos Cordeiro (Abiquim) e Sissi Alves da Silva (MDIC). Crédito: Abiquim/Divulgação
Moderado por Sissi Alves da Silva, diretora do Departamento de Novas Economias da SEV/MDIC, o painel “O Setor Produtivo na Economia Verde” reuniu representantes da indústria química, do vidro e do alumínio para discutir como o Programa Selo Verde Brasil pode fortalecer a competitividade da indústria nacional, ampliar acesso a mercados e valorizar atributos sustentáveis dos produtos brasileiros.
Na abertura da mesa, Sissi destacou, portanto, que o programa representa “um passo estratégico” para aproximar sustentabilidade, inovação industrial e valorização dos atributos ambientais da produção nacional. Segundo ela, a iniciativa também contribui para fortalecer a confiança na produção brasileira e demonstrar os diferenciais do País em descarbonização, circularidade e uso sustentável de recursos.
Importância do diálogo
Presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro ressaltou a importância do diálogo entre governo, indústria e entidades técnicas na construção de soluções sustentáveis e competitivas para o País. Segundo ele, sustentabilidade e competitividade precisam caminhar juntas e o Programa Selo Verde Brasil contribui para transformar atributos sustentáveis da indústria brasileira em diferencial competitivo concreto nos mercados nacional e internacional.
André destacou, da mesma forma,que a iniciativa ajuda a criar demanda para produtos da química renovável e fortalece a inserção da indústria brasileira em mercados globais cada vez mais atentos aos critérios ESG.
O executivo defendeu, além disso, o uso do Selo Verde em políticas públicas e compras governamentais sustentáveis, incluindo programas como o Minha Casa, Minha Vida, como forma de ampliar escala, estimular investimentos em inovação e fortalecer a inserção da indústria brasileira em mercados sustentáveis.
Previsibilidade
Representando a Associação Brasileira de Distribuidores e Processadores de Vidros Planos (Abravidro), Rafael Ribeiro destacou a importância da padronização e da previsibilidade para o ambiente de negócios, além da necessidade de conscientizar consumidores sobre o valor dos produtos sustentáveis nacionais.
Já o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Vidro (Abividro), Lucien Belmonte, afirmou que o fortalecimento do mercado nacional será fundamental para dar escala à indústria brasileira e ampliar sua competitividade internacional. Segundo ele, o diferencial ambiental do País pode se transformar em vantagem estratégica para os setores industriais, especialmente diante das discussões globais sobre descarbonização e rastreabilidade.
Alumínio
A presidente da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), Janaína Donas, reforçou que o Selo Verde não cria sustentabilidade “onde ela não existe”, mas reconhece e valoriza práticas já adotadas pela indústria.
Segundo ela, a harmonização de critérios e certificações ajuda a reduzir incertezas, ampliar acesso a mercados e fortalecer investimentos ligados à descarbonização e à economia circular.
Encerrando o debate, Sissi Alves acrescentou que o MDIC já discute iniciativas para conectar o selo a mecanismos de compras públicas sustentáveis e ao acesso facilitado ao crédito, em articulação com órgãos como Banco Central e Receita Federal.
Cooperação e novas iniciativas reforçam agenda do Selo Verde Brasil
Primeira foto: A partir da esquerda, Deputada federal Tabata Amaral, Julia Cruz (MDIC) e André Passos Cordeiro (Abiquim). Segunda foto: Wiltson Varnier (Cebrace), Rafael Ribeiro (Abravidro), Mario Willian Esper (ABNT), Julia Cruz (MDIC) e Lucien Belmonte (Abividro)
Crédito: Abiquim/Divulgação
Durante o evento, o MDIC e a Abiquim assinaram um Acordo de Cooperação voltado à mobilização da indústria química para ampliar o nível de maturidade em sustentabilidade e
apoiar a implementação do Programa Selo Verde Brasil para demais produtos da química sustentável.
Após a assinatura, o presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro, destacou o caráter estratégico da indústria química para o desenvolvimento nacional e ressaltou os avanços do setor em eficiência energética, redução de emissões, inovação tecnológica e uso de fontes renováveis. André também destacou o protagonismo da indústria química na construção do programa, com a criação da norma ABNT NBR 17283, primeira norma integrada ao Selo Verde Brasil, voltada à sustentabilidade de produtos químicos.
Segundo Sissi Alves da Silva, o acordo prevê cooperação técnica e institucional para mobilização das empresas do setor químico, realização de estudos, ações de engajamento e apoio à preparação das empresas para atendimento aos critérios do programa.
O evento também marcou o anúncio da adesão do setor vidreiro ao Recircula Brasil e a publicação da norma ABNT NBR 17296, que estabelece critérios ambientais, sociais e de governança aplicáveis ao vidro plano. Representantes do setor destacaram o potencial do vidro para fortalecer a economia circular, ampliar a reciclagem e contribuir para a descarbonização da indústria brasileira.
Governança, normas e capacitação estruturam o avanço do programa
A partir da esquerda: Isabella Póvoa (Senai), Ricardo Fermann (Inmetro), Cláudio Guerreiro (ABNT) e Gisele Viana (MDIC). Crédito: Abiquim/Divulgação
Próximas etapas
Encerrando o evento, representantes do MDIC, ABNT, Inmetro e SENAI detalharam as próximas etapas do Programa Selo Verde Brasil.
Incluindo, assim, governança, elaboração de normas técnicas, acreditação de certificadoras e capacitação das empresas participantes.
A coordenadora-geral de Economia Verde e de Impacto da SEV/MDIC, Gisele Viana, destacou que o programa é resultado de ampla articulação entre governo, indústria e entidades técnicas, com foco em transformar sustentabilidade em diferencial competitivo para a indústria nacional.
Representando a ABNT, Cláudio Guerreiro ressaltou o caráter colaborativo da construção das normas técnicas do programa, desenvolvidas com participação dos setores produtivos e especialistas.
Já o coordenador-geral de Acreditação do Inmetro, Ricardo Fermann, afirmou que a acreditação das certificadoras será fundamental para garantir confiança, rastreabilidade e, acima de tudo, reconhecimento internacional aos produtos certificados pelo Selo Verde Brasil.
Pelo SENAI, Isabella Póvoa destacou, da mesma forma, o início da etapa de capacitação e consultoria das empresas participantes.
Sempre com, em conclusão, foco na preparação das cadeias produtivas para atender aos critérios ESG previstos nas normas do programa.
