Santo André amplia rede de cuidados paliativos

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Iniciativa, que já era realizada no Serviço de Atendimento Domiciliar e no CHM, chega agora aos equipamentos de urgência e emergência

A Secretaria de Saúde de Santo André ampliou a atuação da Linha de Cuidados Paliativos, criada com o objetivo de aliviar o sofrimento de pacientes com doenças que ameacem a vida, por meio de tratamento da dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais.

Criada há três anos, a iniciativa estava presente no Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD) e no Centro Hospitalar Municipal (CHM), e agora chega às Unidades de Pronto Atendimento (UPA).

“Cuidamos da população de Santo André em todos os estágios da vida e por isso criamos há três anos essa linha de atenção aos munícipes que estejam enfrentando doenças agressivas. Mais do que dar todo o suporte ao paciente, é preciso também cuidar dos seus familiares, aliviando parte do sofrimento e oferecendo amparo para que eles enfrentem esses momentos mais fortalecidos”, comenta, em resumo, o secretário de Saúde, Gilvan Junior.

Durante evento neste mês com a comissão de cuidados paliativos, que reuniu cerca de 50 profissionais, o diretor-geral do CHM, Victor Chiavegato, falou sobre a emoção de ver o crescimento da iniciativa.

“Sonhamos com esse projeto em 2018, começamos a pensar em como falar sobre o cuidado paliativo na rede. É muito bom ver o quanto o projeto evoluiu e está implantado dentro do Centro Hospitalar Municipal, rede de urgência e emergência e Serviço de Atendimento Domiciliar. A interlocução também é feita com a rede de atenção básica”, pontuou.

Ambulatório de Cuidados Paliativos – Para ter acesso ao ambulatório, o paciente precisa ser encaminhado por um equipamento de saúde, como unidade de saúde de referência, centro de especialidade ou unidade da rede de urgência e emergência.

O Ambulatório de Cuidados Paliativos atua com uma equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeuta e nutricionistas. O atendimento é voltado para pacientes, mas também se estende a familiares e a qualquer pessoa que esteja vinculada ao paciente e que tenha, de alguma forma, sua vida afetada pelo processo do adoecimento.

Segundo a responsável pelo Ambulatório de Cuidados Paliativos, a médica geriatra e paliativista Leticia Sousa Teixeira Cordeiro, muitas pessoas ainda têm preconceito e desconhecem o olhar paliativo.

“O cuidado paliativo é uma forma de cuidar com amor e de forma humanizada, proporcionando um olhar individualizado, respeitando as crenças e a biografia daquela pessoa. A família também é acompanhada e participa de grupos variados. A gente sabe que o cuidado em casa é muito pesado para o cuidador, precisa dar banho, trocar curativo, além disso há a carga psicológica, pois a pessoa está perdendo esse familiar importante”, disse.

A família da paciente Maria Madalena da Conceição, de 82 anos, recorreu ao cuidado paliativo após a idosa, que já utilizava oxigenoterapia domiciliar, ter várias pneumonias e ser intubada. “Pedimos a abordagem paliativa e ela faleceu do jeito que queria, confortável e ao lado da família”, pontuou a amiga da família, Maria Filomena Cruz.

“Embora a dor do luto seja grande, procuro me acalmar porque ela teve um conforto em seus últimos dias. No último dia de vida, com o aumento da morfina e a medicação para dormir, fiquei mais calma ela dormiu o domingo todo”, disse a filha, Mary Alves.

Serviço de Atendimento Domiciliar – Santo André foi a primeira cidade da região a implantar uma Equipe Multiprofissional de Atenção Domiciliar Paliativa (EMAD). A equipe é composta por médico, enfermeiro, fisioterapeuta, auxiliar e técnico de enfermagem, psicólogo, fonoaudiólogo, nutricionistas e assistente social, mas pode sofrer alterações de acordo com a necessidade de cada paciente.

Atualmente, o Serviço de Atendimento Domiciliar, atende 449 pacientes, sendo 34 adultos acompanhados pela EMAD e 21 crianças com doenças raras, por estarem em processo de terminalidade e necessitarem de uma maior expertise e manejo de sintomas. Desde a implantação foram admitidos 182 pacientes adultos e 36 crianças

“Todos os pacientes de perfil SAD são paciente paliativos, por apresentarem uma doença incapacitante e ameaçadora da vida. Nosso diferencial foi implantar uma equipe capacitada e especializada em cuidados paliativos para maior manejo dos sintomas e no cuidado do processo ativo de morte. Outras cidades da região estão nos procurando para conhecer as práticas adotadas em Santo André”, destacou a coordenadora do Serviço de Atendimento Domiciliar, Ana Paula Maniero de Souza Sorce.

Foto: Eduardo Merlino/PSA

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