Por Clara Laface *
Na agitada segunda-feira logo após o término do primeiro turno das eleições, o Ibovespa deu um salto de 7,7% e bateu, pela primeira vez na história, a emblemática marca de 200 mil pontos. Em poucas horas, uma enxurrada de capital foi injetada no mercado financeiro. Mas o que mudou de forma tão radical e imediata? A resposta foi a virada brusca na expectativa coletiva sobre o cenário futuro.
O mercado financeiro não vive apenas de analisar o presente. Ele analisa dados estatísticos, calcula riscos matemáticos e projeta os próximos resultados econômicos. O veredito das urnas alterou essa leitura e forçou uma reprecificação imediata de todos os ativos nacionais.
Com a nossa carreira acontece algo idêntico. O ecossistema profissional jamais avalia alguém apenas pelas entregas que já ficaram para trás no currículo. Ele projeta expectativas racionais sobre o que calcula que você será capaz de realizar no futuro, muitas vezes avaliando seu potencial com base em projeções de crescimento.
É por essa razão exata que duas pessoas com bagagens técnicas parecidas acabam ocupando lugares completamente distintos no radar dos outros. Experiência e conhecimento são a base, mas sozinhos não determinam o valor de mercado de um profissional. Posicionamento, confiança e reputação entram diretamente nessa equação. Quando esses fatores mudam, a forma como te enxergam se altera antes mesmo de você modificar qualquer habilidade.
Contudo, existe uma diferença entre uma expectativa real e uma projeção sem sustentação. Na bolsa, qualquer alta precisa ser respaldada por lucros reais para resistir ao teste do tempo, caso contrário os preços caem. Na trajetória de carreira, a regra é exatamente a mesma. É a constatação de que uma imagem pública desacompanhada de resultados reais gera apenas atenção temporária, mas perde valor na primeira cobrança de desempenho.
Uma percepção elevada abre portas com facilidade, atrai convites estratégicos e coloca o profissional no centro das oportunidades. Mas, na hora da execução, o mercado vai verificar diretamente se o discurso tem respaldo na realidade. Se há correspondência, a reputação se consolida. Se há falha, inicia-se um processo de reavaliação negativa e a perda de espaço costuma ser rápida.
Esta talvez seja a grande lição que o mercado de capitais nos oferece para a gestão da nossa própria carreira. Não basta possuir competências técnicas; é fundamental que os outros consigam identificá-las com clareza. No entanto, construir uma imagem que os seus fundamentos não conseguem sustentar na prática gera prejuízos profissionais a médio prazo.
Sobre Clara Laface
Especialista em Posicionamento Profissional. Graduada em Marketing, com pós-graduação em Comunicação Estratégica e Gestão de Crise pela FAAP e em Imagem e Marca Pessoal pela PUC-Campinas. É também formada em Consultoria de Imagem pelo EnModa – Escola de Negócios da Moda.
Foi VP de Marketing da AICI Brasil entre 2022 e 2024. Atualmente, é Editora de Negócios da AICI Global Magazine, colunista dos portais Be News, ABC do ABC e ABCD Real e docente na Comunica Escola de Comunicação e Imagem. É também coautora dos livros Encontre sua Marca Volume 7 e A Linguagem da Imagem Pessoal.
