Paz nas contradições da vida

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Dom Pedro Carlos Cipollini, Bispo de Santo André - Crédito: Divulgação

Por Dom Pedro Carlos Cipollini, Bispo de Santo André

Todos desejamos a paz, mas quem colabora para que ela exista entre nós? Na verdade, não são muitas as pessoas que recebem a paz como dom de Deus. Sim, a paz é dom de Deus. Não são muitas as que buscam a paz como “gênero de primeira necessidade”. Porque sem a paz a vida não pode seguir seu curso normal. E os que constroem a paz, porque a paz é também uma construção nossa, quantos são?
Para muitos, é impossível ter paz neste mundo. Alguns dizem que, se desejarmos a paz, temos que nos armar e nos prepararmos para a guerra. Outros acham que a paz é uma guerra disfarçada. Outros ainda, acham que somente na porta de um cemitério se poderá escrever: “paz perpétua”. O mundo segue com preocupação a guerra na Ucrânia, da qual pode surgir um conflito maior. Às vezes, parece que já estamos em uma terceira guerra mundial fatiada em módulos, que se desenvolvem em várias partes do mundo.
No entanto, há uma aspiração, um desejo de paz que perpassa corações e mentes. São Paulo, em uma de suas cartas diz que a paz estará conosco se ouvirmos e praticarmos a Palavra de Deus, assim, “o Deus da paz estará convosco”(Fl 4,7). É certo que onde há paz existe a sensação da presença de algo divino. Santo Agostinho deixou escrito que: “É tal o bem que chamamos paz, que nas coisas humanas não é possível desejar outro, mais alegre ou mais útil”.
As religiões têm hoje mais que nunca uma tarefa especial, que é a de promover o encontro das pessoas com a paz que vem de Deus. Aliás, somente poderá haver paz na sociedade, quando as pessoas experimentarem paz no seu íntimo. As religiões devem ajudar na construção da paz e jamais ser instrumentos de divisão e de guerras. As religiões devem fazer da sociedade um espaço de fraternidade: fraternidade universal.
Vivemos dias de conflitos e divergências. É triste perceber que muitos amigos não podem mais se reunir a fim de evitar brigas. Fizemos da política um modo de identificar nossas diferenças, e dos políticos os catalisadores de nossas aspirações e desejos. Daí a recusa de dialogar, para que as diferenças não nos separem, mas nos una, assim como somos um só corpo e muitos membros diferentes que o formam, em uma harmoniosa unidade. A paz não pode ser reduzida a uma ausência de conflitos. Ela precisa ser buscada todos os dias, procurando incluir todos no nosso amor fraterno. É bom sempre lembrar que a paz, tanto em nosso íntimo como na sociedade, será sempre fruto da justiça e de uma conversão espiritual, na qual a intensidade do amor a Deus e ao próximo, o zelo pela justiça e a busca por um mundo melhor se entrelaçam.
Precisamos redescobrir que a paz pode ser construída nas contradições da vida. Como a luz é gerada entre pólos positivos e negativos, também a paz é construída entre pólos opostos. As diferenças são mestras de conhecimento e tolerância.
Procuremos a paz no rosto do único Deus. Na medida em que Deus conseguir reinar entre nós, a vida social será espaço de fraternidade e dignidade para todos.

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