Kassab joga pá de cal no processo sucessório ao pintar uma parede caiada

In ABCD, Canto do Joca, Política On
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Caiado combina algo com Kassab, e qualquer relação com Flávio Bolsonaro será mera coincidência. Reprodução de imagem de TV

Joaquim Alessi

Deu uma espécie de branco no grande articulador político Gilberto Kassab.

Para os menos afetos à terminologia da pintura brasileira, parede caiada é aquela antigamente branquinha coberta pela mistura de água e cal.

Tal parede caiada é texturizada, rústica, coisa de grego, como se vê em Santorini, e às vezes até machuca quem passa a mão, mesmo para afagar.

Tudo muito relacionado com a decisão de Kassab ao lançar, em ano de Copa, Ronaldo, o Caiado.

Não é para vencer, muito menos convencer, apenas confundir e ter moeda de troca.

Lembrem-se, acima de tudo, não se tratar da primeirez vez que Caiado é candidato à Presidência da República pelo PSD.

Já fora em 1989, na primeira eleição pós-ditadura. Numa filiação em cima da hora.

Aliás, em demonstração de seu oportunismo político-eleitoral (de ideológico não tem nada), havia se filiado ao PDC (democrata-cristão) em 23 de maio de 1989, e em 9 julho migrara para o PSD (que nunca teve nada de democrático e muito menos de social…).

PSD que naquele ano não era o Partido Só Dele, Kassab.

Jovem, Gilbertinho, como era chamado pelos mais íntimos, cuidava da campanha de Afif Domingos, candidato então pelo PL… quem diria!

Almoçamos algumas vezes no Dinho’s Place da Alameda Santos, ao lado de brlhantes jornalistas, como Carlinhos Brickmann e Ferreira Netto.

Naquela eleição de 89, Kassab conseguiu fazer Afif chegar em sexto lugar, enquanto Caiado amargou a 10ª posição, com menos de 0,7% dos votos.

Desta vez, Caiado pode chegar, por exemplo, a 5%… E será um feito.

Ah, a anistia…

O branco Caiado, espécie de Padre Kelmon versão 2026, porém, só tem a missão de tentar neutralizar qualquer pigmento vermelho nessa pintura eleitoral.

Servir de parede caiada às pretensões da “grande família”. Não o humorístico genial da Globo.

Ruralista, criador de gado, tenta atrair às suas pastagens uma parte do rebanho ainda receosa com a profunda inexperiência de Flávio.

Por isso acena, em sumo, com “anistia ampla, geral e irrestrita”… para Bolsonaro.

Conversa mole para boi dormir de quem nem sabe ler a Constituição, ou joga sempre fora das quatro linhas, para agradar o curral.

Como destaca meu grande amigo Guttember Nery Guarabira Filho, o Guarabira da gigante dupla Sá & Guarabira, filho de brilhante advogado baiano, afeto às leituras de obras jurídicas, em mensagem enviada hoje cedinho:

“Apenas para lembrar.
É amplamente entendido no direito constitucional brasileiro que crimes contra o Estado Democrático de Direito não podem ser anistiados. O entendimento consolidado é que tais atos ferem a própria Constituição e as cláusulas pétreas, tornando, nesse caso, a anistia, indulto ou perdão inconstitucionais. Sobre a matéria, já existe entendimento firme no STF.
E, pelo que sei, o Congresso não pode aprovar Emendas à Constituição ou leis que contrariem as cláusulas pétreas estabelecidas na Constituição de 88.”

Dito e feito.

A não ser, em conclusão, que rasguem a Carta Magna.

Enfim, trata-se apenas, em primeiro lugar, de observações iniciais de um cenário ainda incerto.

Frase do dia, além disso, do mesmo amigo Guarabira, para fechar com chave de ouro:
“Não adianta chorar o Leite derramado.”

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