Indisciplina virtual: novo desafio dos professores

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Flavia Sucheck Mateus da Rocha*

Recentemente, durante uma aula on-line do 7º ano do Ensino Fundamental que presenciei, um grupo de alunos causou um tumulto. Áudios inoportunos e em volume exagerado, gritos e conversas excessivas no chat acabaram por fazer a professora ter que interromper e cancelar a aula. Infelizmente, muitos professores têm descrito cenas como essas. Não bastasse a adaptação com o ensino remoto, o preparo das aulas on-line e todas as atividades, os professores agora se veem diante de um novo desafio: a indisciplina virtual.

A participação da família nunca foi tão importante no processo pedagógico e agora os pais têm a oportunidade de acompanharem mais de perto o comportamento escolar dos filhos. Temos visto que no caso das crianças menores, o envolvimento é primordial, uma vez que os pequenos não dão conta de lidar com as tecnologias e a aprendizagem, sem o auxílio dos pais.

Já no caso dos adolescentes, muitos se adaptaram à rotina remota, possuindo mais independência e autonomia. Isso é excelente e almejado. Contudo, quando os pais não acompanham pontualmente as atividades virtuais, nem sempre o comportamento do adolescente é adequado. É preciso lembrar que esse filho ainda não tem maturidade suficiente para ter total liberdade cibernética, seja para uso de redes sociais, seja para assistir aulas.

Outra questão diz respeito ao posicionamento da escola. Uma dica para evitar invasões nas aulas é criar senhas não óbvias para acesso aos links, distribuídas aos pais dos estudantes com pouca antecedência. Nas redes sociais, há relatos de grupos de adolescentes que se desafiam a invadir aulas de colégios públicos e privados. Por isso, a senha é necessária. A escola também deve tentar identificar ações de indisciplina e fazer um trabalho de conscientização entre os estudantes.

Sobre os momentos da aula, a sugestão é que os professores trabalhem com pequenos grupos de estudantes. Normalmente quando as aulas têm muitos participantes, fica difícil identificar quem está causando tumulto. Há ainda a possibilidade de o professor desligar os microfones dos estudantes, dependendo da tecnologia utilizada para a aula. Mas, como normalmente incentivamos a participação discente, grupos menores contribuem para que o professor tenha mais facilidade em gerenciar essas participações.

Com o acompanhamento familiar, o gerenciamento da escola e do professor, esse novo desafio será superado, como tantos outros nessa época de ensino remoto.

Autora: Flavia Sucheck Mateus da Rocha é mestre em Educação em Ciências e em Matemática. Docente na área de Exatas da Escola Superior de Educação do Centro Universitário Internacional Uninter

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