Greve: Conselho Universitário da Medicina ABC chama paralisação em defesa da renovação na Fundação

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Fachada da Medicina ABC

Joaquim Alessi

Em manifestação inusitada e emblemática, o Conselho Universitário do Centro Universitário da Faculdade de Medicina ABC, órgão máximo de deliberação na histórica instituição de ensino regional, lançou oficialmente nesta segunda-feira (17.11), em papel timbrado, um “Manifesto pela Renovação da Gestão da FUABC”.

O documento destaca a aprovação, na 9ª Reunião do Conselho Universitário, de uma paralisação da comunidade acadêmica nesta quarta-feira (19.11), exatamente na semana em que os prefeitos de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul devem se reunir para indicar um nome para presidir a Fundação no biênio 2026-2027.

Além disso, os responsáveis pela Medicina ABC, principal razão de ser da Fundação do ABC, lembram que o atual presidente, Luiz Mário Pereira de Souza Gomes, vem se revezando na presidência e vice nos recentes oito anos, e defendem uma renovação.

Pelo estatuto, a cada dois anos os prefeitos de Santo André, São Bernardo e São Caetano – cidades que criaram a Medicina ABC em 1969 – revezam-se na indicação do presidente, cujo nome é depois submetido ao crivo do Conselho Curador.

Mas, de 2017 para cá essa determinação do estatuto passou a ser descumprida.

No Manifesto divulgado nesta segunda-feira (17), o Conselho Universitário ressalta: “A recente reunião dos prefeitos de Santo André, São
Bernardo do Campo e São Caetano do Sul encerrou-se sem consenso e voltou a cogitar a permanência do atual presidente, que já ocupa cargos de direção há oito anos e manifesta a intenção de permanecer por mais um mandato”.

Por isso, o colegiado assinala, da mesma forma: “O Estatuto da FUABC, em seu artigo 12, é inequívoco: o mandato é de dois anos, com apenas uma reeleição, e deve obedecer ao rodízio entre as Prefeituras. A continuidade sucessiva de um mesmo nome, proveniente de um único município, viola o espírito estatutário, compromete a alternância de poder e desequilibra a governança tripartite que sustenta a Fundação desde sua origem”.

Portanto, defende a renovação.

Nome de consenso

Na sexta-feira (14.11), o prefeito de São Bernardo, Marcelo Lima, fez questão de abordar o tema com jornalistas em uma pauta no Hospital Anchieta.

E garantiu, em resumo, que “pela primeira vez o nome será escolhido por consenso”. Isso porque existe dúvida sobre qual cidade teria direito à indicação: Santo André ou São Caetano do Sul.

No sábado (15.11), da mesma forma, o prefeito de Santo André, Gilvan Ferreira, falou sobre um nome de consenso, mas ressaltou que esse ainda não está definido.

Os dois garantiram, porém, que vão respeitar o resultado da eleição do reitor, na qual o Conselho Universitário aprovou, por 41 votos contra um o nome do farmacêutico-bioquímico Fernando Fonseca.

Íntegra do Manifesto

Santo André, 17 de novembro de 2025.
MANIFESTO PELA RENOVAÇÃO DA GESTÃO DA FUABC
O Conselho Universitário do Centro Universitário FMABC vem a público manifestar
grave preocupação com o processo de escolha do novo presidente da Fundação do ABC
(FUABC), mantenedora do FMABC. A recente reunião dos prefeitos de Santo André, São
Bernardo do Campo e São Caetano do Sul encerrou-se sem consenso e voltou a cogitar a
permanência do atual presidente, que já ocupa cargos de direção há oito anos e manifesta
a intenção de permanecer por mais um mandato..
O Estatuto da FUABC, em seu artigo 12, é inequívoco: o mandato é de dois anos,
com apenas uma reeleição, e deve obedecer ao rodízio entre as Prefeituras. A continuidade
sucessiva de um mesmo nome, proveniente de um único município, viola o espírito
estatutário, compromete a alternância de poder e desequilibra a governança tripartite que
sustenta a Fundação desde sua origem.
O Conselho Universitário denuncia ainda a asfixia financeira imposta pela FUABC ao
FMABC desde 2018, com retenção de repasses que já ultrapassa dezenas de milhões de
reais, afetando o custeio das atividades acadêmicas, administrativas e assistenciais. Mesmo
diante desse cenário adverso, o FMABC tem mantido e ampliado sua excelência, obtendo
notas máximas em avaliações do MEC e no ENADE.
Some-se a isso a preocupação com práticas recorrentes da atual gestão, marcada
por uma expansão desordenada da FUABC, que hoje administra cerca de 35 mil funcionários
e projeta faturamento de R$ 4,5 bilhões para 2026. Tal crescimento vem acompanhado de
denúncias públicas e investigações sobre má gestão e irregularidades em contratos com
prefeituras, conforme amplamente divulgado pela imprensa regional e nacional.
A continuidade da atual presidência da FUABC tende a aprofundar o estrangulamento
financeiro e político, colocando em risco a sustentabilidade do FMABC. A Fundação, criada
para sustentar a formação em saúde na região, tem privilegiado sua atuação como
Organização Social de Saúde, expandindo contratos e estruturas administrativas, enquanto
negligência sua missão originária e suas obrigações para com a instituição universitária que
lhe deu fundamento.
Todos os documentos que comprovam a veracidade dos fatos acima descritos foram
devidamente encaminhados ao Ministério Público e aos três Prefeitos dos Municípios
consorciados.
Diante desse quadro, o Conselho Universitário do Centro Universitário FMABC solicita:

  1. A indicação imediata, pelos Prefeitos — titulares do direito exclusivo de nomeação —
    , de um novo Presidente para a FUABC, rompendo com o ciclo de reeleições
    sucessivas e restabelecendo o princípio de rodízio previsto no Estatuto da Fundação
    do ABC.
  2. A instauração de auditoria independente, com o objetivo de apurar a real situação
    econômico-financeira da Fundação ABC e eventuais inconformidades
    administrativas, assegurando transparência e responsabilidade na gestão dos
    recursos públicos.
  3. Que a escolha do novo Presidente recaia sobre uma liderança comprometida com a
    missão histórica, regimental e estatutária da FUABC, que é a de manter e fortalecer
    o Centro Universitário FMABC, respeitando sua autonomia administrativa e
    acadêmica e preservando o caráter público e formador que lhe deu origem.
    A defesa da saúde, da educação e da autonomia universitária é dever coletivo e
    direito inalienável de toda a comunidade.
    Adicionalmente, foi aprovada na 09ª Reunião do Conselho Universitário, a realização
    de uma paralisação institucional envolvendo toda a comunidade acadêmica do Centro
    Universitário FMABC, a ser realizada no dia 19 de novembro. A referida medida tem por
    finalidade reforçar e assegurar o atendimento das demandas apresentadas no manifesto e
    em defesa da autonomia universitária.
    Conselho Universitário do Centro Universitário FMABC

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