Dependência da Inteligência Artificial em crônica provocativa e atual

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Imagens: Pixabay

Por Paola Zanei*

_Sim, eu confesso. A Inteligência Artificial está me ajudando. Praticamente todo dia. Não consigo parar_

Eu tentei evitar, eu juro, mas com a oferta de conhecimento rápido e organizado, foi difícil demais de recusar. Fora o convívio intenso com outras pessoas que também fazem uso, inclusive de Inteligências Artificiais mais fortes. Eles me disseram que era tudo de bom. E acabei decidindo experimentar.

No começo eu usava pouco. Só de vez em quando, para confirmar como se escreve uma ou outra palavra. Mas ela sempre me perguntou se eu queria mais. A princípio recusei, agarrada aos meus valores e crenças na honestidade, criatividade e conhecimento da minha inteligência real.

Mas eu não devia ter experimentado. Vacilei. Comecei a perceber que aquilo, de esclarecer todo tipo de dúvida, era muito satisfatório. Sei que ela tem muitos usos, mas no meu caso, ela age diretamente na minha fraqueza, que é a vontade de escrever textos mais claros e melhores. Releases recheados de informação sobre toda e qualquer coisa, ou pessoa, de Bossa Nova ao Pós Punk, de Mazzaropi ao Cinema Novo, do balé clássico às danças étnicas, de Platão a Ponde.

Entrei em um caminho sem volta. O que antes me obrigava a abrir vários links em busca da resposta, agora se tornou apenas a capacidade de fazer a pergunta certa para ter a resposta perfeita. E ela pergunta se quero mais. Quase sempre eu quero saber mais e mais. É um vício que ela sabe explorar com muita inteligência.

E eu fui querendo mais. Comecei a perguntar várias coisas, que resultavam na necessidade de novas questões, que suscitavam outras. Às vezes eu conseguia encontrar um erro. Aí ela falava docemente: “você tem razão, obrigada por corrigir o meu erro. A resposta correta na verdade é…”. Ela reconhece os erros e se oferece para novas consultas. Difícil resistir a tanta humanidade.

É atenciosa e educada, mais do que muita gente. Sei que é puro interesse, mas agora já me envolvi.

E logo eu que dizia: dessa água não beberei, comecei com uns golinhos e hoje quase me afogo. Mas, ainda a muito custo, me controlo, tento não consumir demais a ponto de atrofiar meus neurônios e prejudicar minha inteligência real.

*Paola Z., jornalista, escritora e viciada (em IA)

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