Delegados cobram Tarcísio: “Só fez 5 promessas de campanha para a Polícia Civil e a maioria está longe de ser cumprida”

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Jacqueline Valadares

Sindicato dos Delegados alerta sobre falta de diálogo do Estado com representantes de classe e alarmante ausência de valorização em estrutura, salário e segurança; em 2022, então candidato, governador prometeu que a Polícia Civil de São Paulo seria uma das mais bem pagas e equipadas do País

A um ano e dois meses do término do mandato, o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), deve à Polícia Civil paulista o cumprimento integral das 5 promessas feitas durante a campanha eleitoral para o comando do Palácio dos Bandeirantes.

É o que conclui o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp), com base em declarações do então candidato do Republicanos, em 2022.

Durante o pleito, Tarcísio se encontrou com lideranças do Sindicato e demonstrou conhecer todos os graves problemas enfrentados pela Polícia Civil, segundo suas próprias palavras, “vilipendiada pelo Governo do Estado há muito tempo”.

Na ocasião, o postulante, militar, garantiu que olharia para a instituição “com muito carinho” e citou uma série de soluções.

As promessas foram gravadas em vídeo e republicadas há poucos dias pelo Sindpesp em suas redes sociais (https://www.instagram.com/reel/DPmkNhnEWnl/?igsh=YW5nNTZ3MDNkMTNh).

Entre elas, estavam uma nova e moderna Lei Orgânica; plano de carreira com progressão adequada para que delegados alcancem à classe especial sem indicação política e, sim, por mérito e tempo de serviço; valorização salarial; recomposição do quadro de Recursos Humanos; e melhor estrutura de trabalho.

4º pior salário do Brasil

A presidente do Sindicato, delegada Jacqueline Valadares, destaca, entre as principais promessas de campanha de Tarcísio, a de que, a Polícia Civil bandeirante estaria entre os melhores salários do País – o que não ocorreu.

Dos 27 estados da federação, São Paulo está em 24º em remuneração, mesmo sendo o mais rico do País:

“Apesar de o governador ter iniciado seu mandato, em 2023, concedendo reajuste médio de 20% para os policiais – sendo que para delegados, especificamente, o percentual foi bem abaixo o disso – os anos de 2024 e 2025 foram marcados por perdas salariais reais, já que a inflação no período superou a única recomposição de 5% ocorrida neste ano. O delegado de Polícia de São Paulo, hoje, tem a 4ª pior remuneração do Brasil”, critica.

Déficit de 15 mil policiais civis

O compromisso de recompor o quadro de policiais também ficou prejudicado.

Apesar dos concursos e nomeações, a defasagem, que era de 17 mil profissionais em 2022, caiu para 13 mil, mas, com a evasão ainda crônica em razão dos maus salários e condições de trabalho ruins, voltou a subir e está, neste momento, em mais de 15 mil, entre diferentes funções: de delegado a escrivão; de investigador a perito criminal – só para citar algumas.

Outra promessa, como reforça a presidente do Sindpesp, de que a instituição teria sua nova Lei Orgânica, ainda não saiu do campo dos estudos, iniciados em fevereiro de 2025 e prorrogados por duas vezes, sem transparência nem diálogo com as entidades representativas:

“Sem entregar uma nova Lei Orgânica que, efetivamente, modernize a estrutura da Polícia Civil, o Governo de São Paulo também não cumpre outra promessa – a de implantar um plano de carreira que assegure não somente a ausência de interferências políticas, mas, sobretudo, o fim da sonegação de direitos básicos aos policiais, como hora extra, adicional por trabalho noturno e auxílio-saúde, por exemplo”, acrescenta.

E, por fim, mas não menos importante, Jacqueline cita a falta de estrutura e de investimentos em geral, conforme amplamente noticiado pela Imprensa, o que reflete diretamente no trabalho das Delegacias e que, também, era promessa de campanha de Tarcísio, em 2022:

“Daqui um ano, ocorrerão novamente eleições, e a classe policial paulista ainda aguarda respostas das promessas feitas no pleito passado. Será que essas promessas serão novamente repetidas na próxima campanha?”, questiona, em conclusão, a líder sindical.

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