Resíduos orgânicos são transformados em gás e adubo em escolas do ABCD

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Alunos aprendem sobre reaproveitamento de alimentos e sustentabilidade - Divulgação: Unipar/Biosaneamento

Projeto utiliza biodigestores e hortas para aproximar estudantes, em suma, de temas como saneamento, alimentação e sustentabilidade

Na rotina de escolas de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, o que antes seria descartado passou a fazer parte, portanto, de um ciclo de transformação.

Resíduos das refeições alimentam biodigestores, que produzem biogás para a cozinha e fertilizante utilizado nas hortas cultivadas pelos próprios estudantes.

Ao acompanhar esse ciclo de perto, crianças e adolescentes descobrem, na prática, como aquilo que seria descartado pode se transformar em energia e adubo.

A iniciativa faz parte, em primeiro lugar, do projeto Saneamento é Saúde, promovido pela Associação Biosaneamento com apoio da Unipar. Voltada a estudantes de 6 a 14 anos, a iniciativa leva o biodigestor, em primeiro lugar, para dentro da rotina escolar e aproxima temas como saneamento, alimentação e meio ambiente do cotidiano dos alunos.

Na Escola Estadual Felício Laurito, em Ribeirão Pires, o aprendizado começa literalmente com as mãos na terra. Os estudantes ajudam a preparar os canteiros, acompanham de perto o desenvolvimento das hortas e participam das diferentes etapas do cultivo.

É esse contato que, segundo Rafael Almeida, professor do centro de ensino, torna a experiência mais significativa. “A horta trabalha em diversas frentes. Os alunos aprendem sobre as plantas e entendem como um alimento que seria descartado pode se transformar em um fertilizante poderoso. A partir daí, conversamos sobre saneamento básico, e como tudo isso acontece nas cidades. É um aprendizado que desperta o pertencimento e coloca os alunos para ver as coisas acontecerem. Na era digital, esse contato com o ‘mão na massa’ faz toda a diferença”, pontua.

Descoberta

Para o aluno Renan da Silva, de 14 anos, uma das principais descobertas foi justamente perceber, em suma, que o destino de um resíduo não precisa ser o lixo.

“O que mais me surpreendeu foi descobrir que o resto da comida pode virar gás de cozinha. Eu nunca tinha pensado nisso e achei muito legal. Esse projeto faz a gente ter mais contato com a natureza e aprender na prática como reaproveitar a comida, por exemplo”, afirma.

A percepção de Renan revela uma mudança que ultrapassa o conteúdo das atividades. O que antes era visto apenas como sobra passa a ser reconhecido pelos estudantes como parte de um ciclo que continua dentro da escola. Essa transformação também é percebida por quem acompanha o processo diariamente, mas de outro ponto de vista: o da cozinha.

É ali que Aparecida Passos, funcionária da escola, percebe os efeitos do projeto na rotina de trabalho. “Aqui, para manter o gás funcionando, a gente alimenta o biodigestor com o que sobra da comida das crianças todos os dias. Esse projeto da horta e do biogás nos ajuda muito, porque temos um fogão de quatro bocas e as panelas são enormes. Muitas vezes falta espaço para aquecer tudo ao mesmo tempo. O biogás ajuda demais no nosso dia a dia”.

Virou rotina

Em Rio Grande da Serra, a experiência também passou a fazer parte da rotina dos estudantes da Escola Municipal Professor Francisco Lourenço de Mello.

A proposta é incorporada às atividades pedagógicas, oferecendo aos estudantes novas maneiras de aprender e explorar diferentes conteúdos.

“Quando conheci o projeto, percebi que ele dialogava com uma necessidade da turma, que apresentava dificuldades em ciência, escrita e compreensão dos conteúdos. A iniciativa permitiu que os alunos aprendessem desde o preparo do solo até o plantio, incluindo o acompanhamento do desenvolvimento das sementes”, conta a professora Claudiana Gonçalves.

Os reflexos da experiência também chegaram, da mesma forma, às casas dos estudantes.

Giovana Dionisio, de 9 anos, conta que passou a adotar hábitos mais sustentáveis depois de participar das atividades.

“Eu aprendi que o resto da comida pode virar adubo. Não sabia disso e achei muito legal. Agora cuido mais das plantas, reciclo mais, separo os alimentos e o lixo”, relata.

Educação e saneamento

A iniciativa conta, por exemplo, com apoio da Unipar, empresa estratégica para o setor de saneamento no Brasil e uma das principais fornecedoras de insumos para o tratamento de água e esgoto.

Segundo Pedro Rohl, diretor da fábrica da companhia em Santo André, apoiar projetos como esse é uma forma de aproximar a empresa da comunidade e mostrar como educação e saneamento caminham juntos.

“A Unipar é uma empresa socialmente responsável e busca continuamente estabelecer relação de confiança e impacto com as comunidades do  entorno de suas operações. Nos dá muito orgulho apoiar projetos como este da Biosaneamento que atua diretamente com uma das nossas frentes de trabalho que é o do cuidado com a água. Estamos há mais de 57 anos trabalhando para ofertar produtos que garantem o tratamento com a água, por exemplo “, afirma, em resumo.

Mais do que instalar equipamentos, o projeto deixa, além disso, um legado que permanece nas escolas.

As hortas continuam produzindo, o biodigestor segue em funcionamento e o conhecimento construído ao longo das atividades passa a fazer parte, em conclusão, da rotina dos alunos, dos educadores e das famílias.

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