Por Clara Laface *
Enquanto estamos dentro de uma organização, nem sempre é simples perceber quanto do nosso valor vem daquilo que construímos individualmente e quanto é reforçado pela reputação da empresa. Durante anos, essas duas forças convivem e se misturam no cotidiano. Porém, no meio do caminho pode aparecer uma transição e o profissional se dá conta de que nem tudo o que parecia ser seu passa pela porta com ele.
O nome da organização ajuda a abrir portas, facilita conversas e antecipa parte da confiança que o mercado deposita naquele indivíduo. Não há nada de errado nisso, mas, em determinado momento, o mercado precisa reconhecer a pessoa para além da empresa onde ela trabalha, entendendo por que sua presença continua relevante mesmo quando o cenário muda.
Empresas e profissionais se fortalecem juntos por muitos anos. A organização amplia sua projeção, enquanto a figura do líder ou especialista ajuda a manter o negócio presente. Em carreiras corporativas, um executivo costuma receber atenção especial porque ocupa uma posição de destaque, circula nos lugares certos e representa um ecossistema poderoso.
Parte dessa reputação pertence ao contexto e tende a diminuir quando o cargo desaparece. A outra parte é aquela que o profissional acumula ao longo do tempo, ficando ligada de forma genuína ao seu nome e à sua forma de atuar. A diferença fica evidente nas transições: alguns continuam sendo procurados e ouvidos, enquanto outros descobrem que toda a atenção estava presa à estrutura anterior.
A consistência de uma trajetória exige que o indivíduo saiba transitar por diferentes ambientes sem perder a identidade. Quem depende de um único ecossistema sofre muito mais com as oscilações do mercado. Desenvolver versatilidade garante que a bagagem acumulada sirva como um ativo portátil, aplicável a múltiplos cenários e desafios futuros.
Construir essa reputação própria não exige se transformar em uma figura pública. Basta deixar claro, ao longo do tempo, quem você é, o que sabe fazer, como pensa, que tipo de problema consegue resolver e por que sua contribuição agregadora faz a diferença. É isso que permite que o seu valor passe por mudanças de cargo, empresa ou setor sem perder força.
O ponto central de um posicionamento está naquilo que o seu nome representa para as pessoas certas quando um grande desafio surge. A melhor hora para descobrir se o mercado reconhece o seu valor fora da empresa nunca é no dia da saída: comece, hoje mesmo, a construir o que pertence ao seu nome, muito além do crachá.
Sobre Clara Laface
Especialista em Posicionamento Profissional. Graduada em Marketing, com pós-graduação em Comunicação Estratégica e Gestão de Crise pela FAAP e em Imagem e Marca Pessoal pela PUC-Campinas. É também formada em Consultoria de Imagem pelo EnModa – Escola de Negócios da Moda.
Foi VP de Marketing da AICI Brasil entre 2022 e 2024. Atualmente, é Editora de Negócios da AICI Global Magazine, colunista dos portais Be News, ABC do ABC e ABCD Real e docente na Comunica Escola de Comunicação e Imagem. É também coautora dos livros Encontre sua Marca Volume 7 e A Linguagem da Imagem Pessoal.
