Joaquim Alessi
Tudo diante dos olhos: sábado, pouco antes de 6h30 da “madrugada”, a cena presente pouco depois de falar sobre o rumo das eleições no País com moradores da periférica São João Clímaco, onde morei desde que nasci, em 1958, hoje incorporada pela “Grande Heliópolis”, verdadeiro município-comunidade com seus mais de 200 mil habitantes, pobre e maior que a rica vizinha São Caetano do Sul com seus 170 mil moradores.
Não conversei com ela, nem perguntei seu nome, até porque ela pode ser chamada de “Brasileira da Silva”, mas fiquei sabendo um pouquinho de sua história.
Melhor que a de todos, absolutamente todos os candidatos a presidente, a governador, a senador, a deputado federal e estadual.
Exemplo de Servidora, divide o pão que a ela custa uma fortuna, sabendo que em troca não ganhará um tostão, nem um voto de consolação.
O prêmio, sem dúvida nenhuma, está em seu coração.
Quem a conhece, no entorno da Paróquia de São João Clímaco, onde na década de 1960 ajudei o saudoso Padre Beno, a solicitar o dízimo para sua manutenção, passando com o recibo de casa em casa, mês a mês, me conta que ela é uma pessoa com deficiência mental.
Talvez tenha sido até dizimista naqueles fatídicos e medonhos anos de 1960.
Hoje, as pessoas da igreja, com a bênção do padre, ajudam-na. Dão banho no chuveiro da Paróquia. Cuidam dessa verdadeira Santa dos Animais.
E o que ela faz? Distribui com amor o pouco pão de que dispõe entre os pombos, que a veneram, adoram-na.
Ajoelhada, cumpre um ritual digno de aplausos e elogios. Alimenta as aves sem esperar nem sequer um pio de retorno, ou agradecimento.
Que o seu exemplo possa servir de reflexão a quem hoje pede votos prometendo representar a população.
A digna representante, porém, está diante dos nossos olhos, das nossas lentes.
Viva a Nossa Senhora Brasileira da Silva!
