Em Mauá, Lula anuncia investimentos históricos em Saúde e Educação e truca o “zap”

In ABCD, Canto do Joca On
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Tendo às costas Miriam Belchior, Lula fala aos prefeitos Marcelo Oliveira, Akira Auriani, Marcelo Lima, Guto Volpi, Gilvan Ferreira e aos representantes da Saúde de Diadema e São Caetano. Foto: Joaquim Alessi

Três repasses anunciados representam R$ 112,2 milhões; em tom de campanha, presidente alerta para as mentiras da redes sociais, e pede cuidado “com o zap”

Joaquim Alessi

Depois de afirmar que “acabou o Lulinha paz e amor”, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, declarou guerra ao “zap”, apelido pelo qual ele prefere chamar o whatsapp.

Mas, para quem conhece o jogo de truco – onde o blefe muitas vezes ganha – trucar o zap é uma atitude ousada.

Afinal, trata-se da carta mais forte que se pode ter em mãos, que pode ser superada, porém, pelo casal vermelho: 7 de copas e 7 de ouro.

Jogo de cartas – marcadas? – à parte, a intenção de Lula foi alertar seus apoiadores – que superlotaram atenda armada no Paço de Mauá – para “as mentiras do zap”, ou do whatsapp.

“Publicaram até que eu já morri”, ironizou, em resumo.

Muito vivo, lembrou à plateia que precisa de todos para chegar ao 4 de paus (olha o truco aí de novo, em cima do zap): ou seja, para ganhar a quarta eleição presidencial.

Jogo de mentiroso

Não à toa o truco é chamado, da mesma forma, de “jogo de mentiroso”.

Na partida vale mais a dissimulação, caras e bocas, sinais trocados, gestos intimidadores, os gritos de “seis, ladrão!”, “nove, doze”… e Lula aposta no 13.

Conhece como poucos a arte de mexer os pauzinhos.

Razãoo pela qual ganhou cinco das nove eleições presidenciais realizadas após o fim da ditadura ( de 1989 a 2022).

Perdeu em 1989 para Collor, com quem disputou o segundo turno; em 1994 e 1998 par Fernando Henrique Cardoso, que venceu as duas no primeiro turno; e em 2018, quando foi impedido de concorrer com Bolsonaro.

De resto, ganhou em 2002, reelegeu-se em 2006; elegeu e reelegeu Dilma em 2010 e 2014; e faturou em 2022 contra quem tinha a máquina nas mãos.

Máquina a todo vapor

A mesma máquina, aliás, hoje pilotada por Lula, e que ele conduz com afinco para chegar à reeleição e sexta vitória em nove disputas.

Máquina também que lhe permite a anunciar investimentos pesados.

Para compra e reforma do prédio do Campus Mauá do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), R$ 44,8 milhões por meio do Novo PAC.

Mais R$ 37,4 milhões para o Sistema Único de Saúde (SUS) de Mauá, 34 novas ambulâncias para os municípios do ABCD e a construção de nova policlínica de Mauá, que receberá R$ 30 milhões para atender pacientes da cidade e das vizinhas.

Até prédio da Metodista

Além disso, Lula conversou bastante, enquanto ministros discursavam, com o prefeito de São Bernardo, Marcelo Lima (Podemos).

Depois, em seu discurso, revelou que Marcelo pleiteou um Instituto Federal para a cidade, e disse que entregaria antigo prédio da faculdade Metodista para tal fim.

O prédio abrigava até o ano passado, em suma, a EMEB Paulo Renato Souza, mas foi desocupado para receber uma reforma.

Reunião ministerial

Para completar o uso da máquina, Lula trouxe à tenda dos milagres de Mauá a nata de seu primeiro escalão.

O vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, falou, entre outros, de R$ 3,1 bilhões para a indústria petroquímica.

Os ministros da Saúde e da Educação despejaram números sobre suas áreas.

Alexandre Padilha foi cirúrgico ao atacar, sem citar o nome, o governador, Tarcísio de Freitas, e sua “Tabela SUS Paulista”.

“Ele só não conta que faz isso com dinheiro da União”, reclamou Padilha.

Camilo Santana, que na véspera falara em rede nacional sobre a Educação, reforçou os argumentos de nação educadora.

Além disso, Lula perfilou cinco prefeitos do ABCD, e representantes de outros dois que não apareceram para falar de democracia.

Lembrou que só um deles (o anfitrião Marcelo Oliveira, de Mauá) é do PT.

E brincou com Guto Volpi, de Ribeirão Pires: “É do PL, meu maior adversário político, mas tem verba também”.

Citou Diadema, onde o prefeito, Taka Yamauchi (MDB), tirou o PT do poder, mas ganhou nove ambulâncias.

E disse, em conclusão, que não poderia ser mesquinho.

Trucou de novo. Resta saber as cartas que os adversários terão em mãos.

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