Entidade desafia policiais a provarem, no holerite, aumento divulgado pelo Estado; percentual inflado se apropria, além disso, de reajuste concedido na gestão anterior pelo então governador João Doria
O reajuste de 45% nos salários das Polícias Civil e Militar divulgado pelo Governo Paulista, em publicação oficial sobre ações e investimentos do Palácio dos Bandeirantes na Segurança Pública, está sendo contestado, em primeiro lugar, pelo Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp).
A entidade sindical aponta “fake news” da gestão de Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos).
E denuncia estratégia para desviar o foco de reivindicação, não de hoje, por aumento de efetivo e valorização salarial.
O republicano, segundo o Sindicato, apropriou-se, acima de tudo, de porcentual concedido na gestão anterior (2019/2022), do então governador João Doria Junior (sem partido), “para inflar discurso”.
A informação do reajuste em tela foi compartilhada em reunião entre associações policiais, Tarcísio e secretários de Estado, na sede do governo bandeirante, em 23.11.
No encontro, foi apresentado, além disso, um panorama das despesas e dos salários das Polícias Militar, Civil e Penal, das contratações e dos reajustes realizados nos últimos anos.
Do resultado da audiência, um material foi elaborado, distribuído à Imprensa e publicado no site do Governo.
Fake News
Segundo a divulgação oficial, entre 2022 e 2025, os policiais civis e militares paulistas acumularam aumento salarial de 45,2%; e os penais, 54%.
Mas, na conta desses 45%, então inclusos 20% referentes a 2022, quando o governador ainda era João Doria.
Para a gestão de Tarcísio (2023/2026) sobram 25% – concedidos de 2023 a 2025.
No primeiro ano do atual governador, em 2023, o reajuste médio para os policiais civis e militares foi de 20% .
Na portunidade, a PM foi beneficiada com repasse maior em detrimento da Polícia Civil.
Na prática, como afirma a presidente do Sindpesp, delegada Jacqueline Valadares, a situação é pior.
“Para delegados de Polícia, em 2023, o aumento variou entre 14,27%, para a classe especial, e 20,7%, para a 3ª classe. Já em 2024, nenhum percentual foi concedido. Em 2025, veio um reajuste linear de 5% para todo o funcionalismo público. Importante lembrar que os anos de 2024 e 2025 foram marcados por perdas reais na remuneração em razão da inflação do período”, detalha.
No entendimento do Sindicato dos Delegados, ao juntar o percentual de outra gestão (a de João Doria) com a atual (de Tarcísio), o Palácio dos Bandeirantes maquia dados e cria discurso falacioso:
“O governador (Tarcísio Gomes de Freitas), em nota oficial do Governo do Estado, está considerando na conta um percentual que foi concedido por gestor (João Doria) que o antecedeu. Trata-se de desinformação aos policiais e à população. É fake news! Algum policial civil teve, no seu holerite, em São Paulo, um reajuste de 45%, nesta gestão (2023/2026)?”, questiona Jacqueline, em tom de desafio.
Entre os piores do País
Hoje, conforme ranking do Sindpesp, os vencimentos dos delegados de Polícia de São Paulo são deploráveis.
O Estado tem a maior arrecadação de tributos do País, e os vencimentos de seus policiais civis estão muito baixos
Encontram-se, portanto, na 24ª posição em comparação aos outros entes da federação e ao Distrito Federal.
No período de 2023 até agora, São Paulo teve baixa, por exemplo, de 3.691 policiais civis – grande parte desmotivada com a desvalorização da carreira.
“A defasagem salarial dos policiais civis de São Paulo é tão gritante, que, ainda que tivesse sido dado reajuste de 45%, não sairíamos do ranking dos piores vencimentos do Brasil. Entre 27 estados, estamos em 24º lugar. Na realidade, seria necessário um aumento aproximado de 100% nos holerites para igualar com os melhores do País em remuneração de delegados”, aponta, em conclusão, Jacqueline.
