Público de 2,5 milhões de pessoas no réveillon de Copacaba é só onda

In ABCD, Canto do Joca On
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Réveillon de Copacabana criada por IA

Joaquim Alessi

Megafesta sem dúvida (e sem hífen, a exemplo do que deveria ser com a megassena, erroneamente batizada pela Caixa como “Mega-Sena”, a fim de emburrecer ainda mais os brasileiros).

Mas, a questão aqui não é gramática, e, sim, matemática.

Passamos o último dia de 2025 e continuamos no primeiro dia (e não dia 1, que não existe) de 2026 a ouvir até renomados jornalistas bradar que havia 2,5 milhões no réveillon da praia de Copacabana.

E aí entra areia…

Por mais que se esprema (pessoas ou números), não cabe tanta gente assim naquele espaço, nem com toda a boa vontade de Cristo e seus braços abertos que a todos acolhem.

Brigo com essa megalomania de superdimensionar multidões há mais de 40 anos.

Quem sempre me acompanhou nessa luta foi o saudoso radialista José Paulo de Andrade, da Rádio Bandeirantes.

Vila Euclides, o Maraca de Bernô

Lembro, por exemplo, de uma conversa com o então líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva em uma assembleia de Vila Euclides.

Sindicalistas e alguns jornalistas insistiam em divulgar a presença de “100 mil metalúrgicos” no Estádio 1º de Maio.

Era impossível, matematicamente. O campo mede 105x68m, ou 7.140 metros quadrados.

Com o espaço totalmente tomado, e imaginando-se 4 pessoas por metro quadrados, espremendo com toda boa vontade, teríamos 28.560.

As arquibancadas, naquele início dos anos de 1980, podiam receber 16 mil torcedores. Total, portanto, de 44.560.

Número pra lá de expressivo e emblemático, mas menos da metade do 100 mil proclamados pela megalomania.

Falei disso com Lula e ele respondeu: “Apertando bem, cabem 6 por metro quadrado”. À época ele estava gordinho, e retruquei: “Com o tamanho das nossas barrigas, nem 3 por metro…”

Não vamos rir do Rio

Voltando à Virada Carioca, diplomada pelo Guinness Book e transformada politicamente em arma de guerra por Paz (o prefeito), vemos que os números não batem.

Basta, em primeiro lugar, uma simples constatação. Caberia na praia de Copacabana mais de um terço da população do Rio, estimada em 6,7 milhões?

Nem com reza braba, como se diz no popular. Afinal, 2,5 milhões são 37,31% de 6,7 milhões.

Mas, vamos aos números.

A praia de Copacabana tem entre 4,15 e 4,5 quilômetros, mas vamos ajudar a inflar os números e considerar 4,5 mil metros.

A faixa de areia varia (e não vareia… rss) entre 30 e 100 metros, dependendo do ponto. Levemos em conta a média de 65 metros.

Teremos, portanto, o total de 292.500 metros quadrados.

Multiplicados por 4, uma superconcentração de gente, sem conseguir se mexer, dá 1.170.000 pessoas.

Número milionário, no máximo, mas o correto é dividir por 2, e chegamos a 585 mil. Por isso, não é o caso de rir do Rio.

Para não ficar sozinhos nessa conta, contamos que a BBC de Londres estimou o público em 660 mil, mas isso é para inglês ver…

Enfim, dizem que os números não mentem jamais, mas quem mexe nas calculadoras, aí é outra história.

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