Especialista reforça que ansiedade é um sinal do sistema nervoso e defende, acima de tudo, que o autoconhecimento ajuda a identificar gatilhos, ajustar rotas e construir uma vida mais equilibrada
O início do ano costuma acender, em primeiro lugar, um alerta emocional em muita gente.
Entre metas, cobranças e expectativas de recomeço, cresce, por exemplo, a sensação de que é preciso “dar conta” de tudo e a ansiedade aparece como resposta automática do corpo e do cérebro.
Para a neurocientista, psicóloga e fundadora da EITA Mentora Virtual Anaclaudia Zani, porém, esse desconforto não deve ser tratado como fraqueza, mas sim como um sinal de que algo precisa ser compreendido e reorganizado.
“A ansiedade é um alarme. Ela não nasce do nada. Ela aponta para excessos, inseguranças, conflitos internos ou situações que estamos tentando controlar demais”, explica, em resumo, Anaclaudia.
Segundo a especialista, o Janeiro Branco é uma oportunidade não apenas para discutir saúde mental, mas para reforçar uma ferramenta essencial e muitas vezes esquecida: o autoconhecimento.
“Quando a gente se conhece melhor, consegue reconhecer os próprios padrões, identificar gatilhos, perceber limites e entender o que o corpo está comunicando. Isso muda completamente a forma de lidar com ansiedade e estresse, porque você deixa de reagir automaticamente e passa a escolher respostas mais inteligentes”, afirma.
Ansiedade não é inimiga. É informação
Anaclaudia destaca, além disso, que um dos equívocos mais comuns é tratar a ansiedade como algo a ser “eliminado” a qualquer custo.
“A ansiedade é uma experiência humana, faz parte do funcionamento do cérebro. O problema não é senti-la, e sim não ter repertório para lidar com ela”, diz.
Ela chama atenção, da mesma forma, para um comportamento muito frequente em crises: a paralisação.
“Muita gente tenta congelar e esperar passar. Mas a ansiedade é corporal. O corpo entra em modo de alerta e, quando você paralisa, pode reforçar o circuito do medo. Por isso, o caminho para voltar ao equilíbrio muitas vezes começa pelo corpo: movimento, respiração e presença”, explica.
Autoconhecimento: o que a ansiedade está tentando te mostrar?
Para tornar o cuidado mais eficaz (e menos repetitivo), a neurocientista sugere transformar a pergunta “como faço para acabar com a ansiedade?” em uma investigação mais profunda:
- O que minha ansiedade está tentando sinalizar?
- Qual padrão estou repetindo?
- Eu estou indo além do meu limite?
- Tenho tentado controlar demais?
- Quais situações eu evito — e por quê?
“Ansiedade também pode ser o reflexo de uma vida que está desalinhada com o que a gente precisa de verdade. O autoconhecimento ajuda a reconhecer isso antes que o corpo ‘grite’ em forma de crise”, afirma.
Por que janeiro aumenta a ansiedade
A especialista explica que janeiro tem características que favorecem o aumento de ansiedade: cobrança por performance, sensação de recomeço obrigatório, comparação social e pressão por mudança rápida.
“O início do ano vira um gatilho para metas irreais e autocobranças antigas. É quando o cérebro entra em modo ‘ameaça’ porque acredita que você precisa fazer demais em pouco tempo”, diz.
Do discurso à prática: micro-hábitos para cuidar da mente
Para além da reflexão, Anaclaudia defende, portanto, que saúde mental exige prática diária, baseada em pequenas ações consistentes:
- Voltar ao corpo: caminhar, alongar, mexer-se quando sentir o alarme disparar.
- Respirar com intenção: reduzir o ritmo do corpo regula o ritmo da mente.
- Diminuir estímulos: excesso de telas e informação mantêm o cérebro em alerta.
- Nomear emoções: dar nome ao que sente reduz a sensação de caos interno.
- Criar pausas conscientes: autocuidado não é luxo, é prevenção.
- Mapear gatilhos e padrões: o autoconhecimento permite antecipar e não só reagir.
“Saúde mental não é ausência de ansiedade. É ter consciência do que você sente e repertório para lidar melhor com isso”, conclui.
Sobre Anaclaudia Zani
Anaclaudia Zani Ramos é psicóloga, neurocientista e pesquisadora em Neurociência e Desenvolvimento Humano há 30 anos. Criadora do Método EITA (Elevar a Inteligência a Treino de Autopercepção), desenvolve trabalhos com neurociência aplicada voltados para mudanças comportamentais mensuráveis.
Atua com foco em alta performance com executivos de grandes empresas como Google e Meta, além de atletas profissionais. É palestrante, escritora e fundadora da startup EITA Mentora Virtual, primeira IA que ajuda na racionalização das emoções.
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