Joaquim Alessi
Muito mais que um simples trocadilho, é emblemática a citação do prefeito Gilvan Junior.
Ao dizer que “o Jardim do Estádio agora vai ter estádio” ele destaca antiga constatação e comentários na cidade.
Assim que o ouvi, lembrei-me imediatamente de uma conversa, por volta de 1983, 1984, com o arquiteto Estevão de Faria Ribeiro.
Jovem inteligente, promissor, presidia a Compre, companhia municipal para o progresso, no segundo governo do Dr. Brandão (1983-1989).
Nessa época cada cidade tinha a sua empresa de progresso, a exemplo da ProSBC, óbvio, de São Bernardo.
A sede da Compre ficava onde hoje está a Casa do Olhar, à rua Campos Salles, próximo à Catedral do Carmo.
Estive lá para entrevistá-lo, em uma ampla e suntuosa sala que servia de Gabinete.
Educação…
Antes de começar a entrevista, tocou o telefone e ele trocou rápidas e duras palavras com um secretário importante.
Desligou meio ríspido, virou-se pra mim e sentenciou: “Santo André é mesmo uma cidade estranha. Tem um Largo da Estátua que não tem estátua; um Jardim do Estádio que não tem estádio; e um secretário da Educação que não tem a mínima…”
Eu ri, ele também, depois do desabafo.
Referia-se a Durval Daniel, o secretário mais ligado a Brandão do que qualquer outro, ao lado do Dr. Henrique Calderazzo.
Durval (tio de Celso Daniel, que havia perdido a eleição para Brandão em 1982) tinha o estilo italiano, mas longe de ser sem educação.
Além disso, eram outros tempos da política, quando adversários eram apenas adversários, não inimigos.
Acima de tudo, nada dessa polarização burra que nos cerca nesses tempos macabros.
Pena que Estevão decidiu deixar-nos muito antes do combinado.
Tais lembranças, por exemplo, vêm à mente apenas para ressaltar que Gilvan demonstra nos primeiros dias de governo estar muito além de ser apenas um continuísta.
É hoje protagonista principal desse enredo que vem se desenvolvendo com sucesso para Santo André, vive a história da cidade e, em conclusão, a pratica.