Joaquim Alessi
Apaixonados pelo Teatro – a exemplo deste que vos escreve – jamais esquecerão espetáculos marcantes, como “Foi Bom, Meu Bem?”, e “Bella Ciao”, para citar apenas dois entre os inúmeros premiados.
São, em primeiro lugar, de autoria desse grande batateiro, o são-bernardense Luís Alberto de Abreu.
E, para a felicidade geral da nação, ele dá início, da mesma forma, às comemorações dos 34 anos da Alpharrabio, Livraria, Editora e Espaço Cultural, neste fevereiro.
Foi convidado, acima de tudo, pela genial Dalila Teles Veras para uma Conversa de Livraria e lançamento do seu livro VIVA O TEATRO! e outras crônicas, em 21 de fevereiro, sábado, às 10h30.
Acompanhe as atividades no site https://alpharrabio.com.br/eventos-alpharrabio/
Um pouco sobre o livro
Adélia Nicolete, que selecionou e organizou o trabalho, escreve:
“Viva o teatro! e outras crônicas reúne quarenta textos, divididos em quatro blocos temáticos, com vistas a uma amostra do pensamento do autor acerca da arte e da cultura, de seus processos criativos e da necessidade de preservação da memória.
O volume compõe, com 25 anos de intervalo, uma trilogia iniciada por A vida crônica (1999) e As artes do ofício: um olhar sobre o ABC (2000), ambos escritos por Dalila Teles Veras para a Alpharrabio Edições, com seleção de crônicas publicadas no Diário do Grande ABC.”
Serviço – Conversa de Livraria e lançamento do livro
VIVA O TEATRO! e outras crônicas, de Luís Alberto de Abreu
Seleção e organização: Adélia Nicolete
Alpharrabio edições, 128 p.; 14 x 21 cm. – (ABC Letras), Santo André, 2026
ISBN 978-65-87810-53-9
Data: 21 de fevereiro, sábado, 10h30
Onde: Alpharrabio Livraria, Editora, Centro Cultural
Rua Eduardo Monteiro, 151 – Jd. Bela Vista
Santo André/SP -Tel. (11) 4438.4358 – WhatsApp (11) 97275-7802
www.alpharrabio.com.br – alpharrabio@alpharrabio.com.br
Apresentação
Num período de dois anos e meio, entre 1995 e 1997, o dramaturgo, roteirista de cinema e televisão e artista-educador Luís Alberto de Abreu, escreveu semanalmente para a coluna “Diário de Domingo” do jornal Diário do Grande ABC. Foram cerca de 135 textos publicados no Caderno Cultura e Lazer, geralmente ladeados por anúncios e matérias sobre shows musicais, espetáculos de teatro, lançamentos de livros e estreias de cinema. Espaço semelhante era ocupado em outros dias da semana pela poeta e gestora cultural Dalila Teles Veras, pela arquiteta e professora Sílvia Passarelli, pelo professor Luiz Roberto Alves e pelo maestro Flávio Florence, tal o interesse do público regional pelos temas relacionados à cultura.
Desde meados dos anos 1980, o ABC paulista viveu um florescimento cultural sem precedentes graças a uma série de fatores. Um deles, de caráter político e econômico, foi a forte atuação do sindicalismo na década anterior, que projetou o ABC para o mundo e criou um ambiente propício para a formação de um partido específico, o Partido dos Trabalhadores, fundado em 1980. Alinharam-se a ele profissionais de áreas diversas, dentre os quais um número significativo de artistas e intelectuais capazes de formular um pensamento ligado à democratização da cultura. Assim, grande parte da população regional, até então alheada das decisões políticas e da distribuição de riqueza, poderia usufruir também dos bens culturais necessários a uma existência digna.
Naquela mesma década, a eleição de prefeitos do Partido dos Trabalhadores em várias cidades do ABC, com destaque para São Bernardo do Campo e Santo André, as mais desenvolvidas economicamente e, portanto, com maiores condições de investimento nas áreas sociais, pedagógicas e artísticas, determinou o florescimento acima referido. De 1988 a 1992, por exemplo, durante a primeira gestão de Celso Daniel na administração andreense, foram desenvolvidas ações de descentralização e democratização cultural idealizadas pelo ator e diretor teatral Celso Frateschi, então à frente da Secretaria de Cultura. Oficinas de capacitação para artistas-educadores; atividades de iniciação artística nos centros comunitários; criação e exibição de um espetáculo coletivo e aberto a cidadãos-artistas da cidade; revitalização do teatro Conchita de Moraes; criação da Escola Municipal de Iniciação Artística e da Escola Livre de Teatro, além de uma Mostra Internacional de Teatro da região, capaz de trazer para o subúrbio centenas de espectadoras e espectadores até então restritos à capital, foram algumas das iniciativas que perduram até hoje e se mostraram determinantes para ampliar o repertório intelectual da população, e gerar interesse tanto pela fruição artística quando pela reflexão. A participação semanal de cinco produtores culturais notáveis nas páginas do maior jornal da região atesta tal interesse.
Luís Alberto de Abreu nasceu em São Bernardo do Campo, em 1952, e sua formação em teatro se dá graças à força do movimento amador nos anos 1960 e 1970 em todo o ABC. Vive e trabalha por alguns anos em São Paulo até que, em 1986, muda-se com a família para Ribeirão Pires. A partir desse momento, integra diversos movimentos nascentes na região: atua como docente de dramaturgia da primeira turma da Escola Livre de Teatro, onde permanece até o começo dos anos 2000; idealiza e coloca em ação a Escola Livre de Cinema e Vídeo de Santo André; cria e orienta um Núcleo de Dramaturgia regional, além de ministrar cursos e oficinas em espaços públicos e privados. Sua coluna semanal é, em boa parte, um reflexo da intensa vida política e cultural da época, o que torna ainda mais valiosa a presente coletânea.
Viva o teatro! e outras crônicas reúne quarenta textos, divididos em quatro blocos temáticos, com vistas a uma amostra do pensamento do autor acerca da arte e da cultura, de seus processos criativos e da necessidade de preservação da memória. A ortografia foi atualizada e foram acrescentadas três notas de rodapé que considerei importantes. O volume compõe, com 25 anos de intervalo, uma trilogia iniciada por A vida crônica (1999) e As artes do ofício: um olhar sobre o ABC (2000), ambos escritos por Dalila Teles Veras para a Alpharrabio Edições, com seleção de crônicas publicadas no Diário do Grande ABC.
Adélia Nicolete (organizadora)
ORELHA:
Prova viva
Em boa hora, atendendo ao convite da Alpharrabio Edições, Adélia Nicolete organiza esta antologia, selecionando e reunindo em um alentado volume, crônicas de Luís Alberto de Abreu, publicadas entre 1995 e 1997 no Diário do Grande ABC.
Abreu é um dos mais atuantes e premiados dramaturgos brasileiros, roteirista e respeitado professor, largamente conhecido e reconhecido não só pelo público e pela crítica especializada, como também por seus próprios pares. Autor de dezenas de peças, 14 delas reunidas no volume Luís Alberto de Abreu – Um teatro de Pesquisa, organização de Adélia Nicolete, Ed. Perspectiva, SP, e de premiados roteiros para cinema e televisão. Neste novo livro, mostra uma sua faceta literária, não tão conhecida. ou seja. a crônica e o faz com invejável desenvoltura.
A voz que se ouve nos textos aqui reunidos é, como poderá comprovar o leitor, a voz de um Mestre. Voz segura, não apenas naquilo que diz, mas na forma como o diz. A palavra cultivada, largamente praticada pelo autor durante décadas para ser ouvida por plateias nos teatros, tem aqui um convite para uma leitura individual, para o deleite e o aprendizado, para o riso e o pensar.
O teatro a que se refere o título é também o teatro do mundo. Muitos e importantes são os temas das histórias aqui contadas. Além das que deram título ao livro, algumas, como a dos bastidores, engraçadas, galhofeiras, também registram fatos pouco abordados pela crítica teatral, como o valor das produções de regiões periféricas, preciosas todas. A região do ABC é ponto de preocupação e ação, ABC como território e comunidade, como memória, como migração, como cidade, como gestão cultural e as respectivas políticas públicas da cultura.
Alpharrabio Edições muito tem se empenhado em possuir um catálogo rigorosamente escolhido com o que de melhor foi produzido na literatura e na área do pensar criticamente a arte, a cultura e a política em nossa região. O outrora subúrbio, agora dividido em megalópoles, oferece o seu melhor em diálogo com o Brasil e o mundo e este volume vem somar-se a outros de autoria de gente que pensa e cria por aqui, mas tem o olhar muito além-fronteiras.
O Diário do Grande ABC, em 1995, passa por grandes transformações de modernização, tornando-se, à época, o maior jornal regional do país, alcançando os leitores das sete cidades do ABC que, juntas, somam mais de dois milhões e meio de habitantes. A partir daí, além de uma competente equipe de jornalistas, o jornal contratou vários colunistas que se revezavam no Caderno Cultura e Lazer. Fui uma delas e muito me orgulha ter dividido espaço do jornal com intelectuais atuantes da estatura de Luís Alberto de Abreu, do maestro Flávio Florence, do professor Luiz Roberto Alves, do jornalista Mino Carta, entre outros.
A região do ABC fervilhava naquela época, como bem registra Nicolete na sua apresentação a esta obra. Naturalmente, este conjunto de crônicas é testemunho desse período e muito contribui para fazer-nos compreender aquele complexo momento, ampliado aqui pelo olhar sensível de quem vive a arte e aguça o interesse do leitor para as questões ao redor.
Viva o Teatro é prova Viva!
Dalila Teles Veras (Editora)
