A Praia José Menino, em Santos, foi, em primeiro lugar, a escolhida para que o grupo pudesse ter momentos felizes
“É maravilhoso! Entrei, brinquei, levei pra água comigo até quem tinha medo”, divertiu-se, acima de tudo, Jacira de Oliveira.
Ela viu o mar pela primeira vez, como canta Flávio Venturini na brilhante parceria com Ronaldo Bastos, intitulada “Todo Azul do Mar.
“Entrei de roupa, porque nem sabia o que levar para a praia. É sensacional! Se pudesse iria todo mês!”, disse, em sumam a integrante de um grupo de 14 pessoas com mais de 60 anos, atendidas no Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF) do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), na Vila Falchi, da Secretaria e Assistência Social da Prefeitura de Mauá.
O grupo foi até Santos, no litoral sul paulista, na Praia do José Menino, numa atividade cujo objetivo é proporcionar experiências diversificadas e prazerosas.
Duas destas pessoas, além disso, nem sequer conheciam o mar, outras não o viam havia muito tempo. Ao se encontrarem nesta quarta-feira, pela manhã, bronzeadas, elas comentavam da viagem.
Até a Mamãe Noel foi
Auriceia Ferreira Nunes sofreu dois acidentes vasculares encefálicos (AVE) e tem dificuldade de fala, mas é bem compreendida no grupo.
Ela é,por exemplo, a Mamãe Noel nas festas de final de ano no CRAS Falchi.
“Fora daqui, muita gente ri de mim… Aqui eu sou incluída. Fazia 37 anos que não ia à praia”, disse Auriceia. Completando 47 anos de casada, ela tirou risadas da turma. “Agora, meu casamento está melhor que antes. A surpresa foi voltar da praia e encontrar meu marido cheio de saudades”, disse, maliciosamente. É que as senhoras do grupo conversam bastante, dão várias ideias, trocam experiências. Por este motivo, o grupo que se encontra há quatro anos se chama ‘Oficina de Troca de Saberes.’
“Esta é uma importante oportunidade das pessoas se relacionarem, fortalecendo as relações de amizade e convívio social, fundamentais para garantir mais qualidade de vida”, afirmou a secretaria de Assistência Social, Fernanda Oliveira. Algumas destas idosas vivem em situação de vulnerabilidade social e participam programas de transferência de renda, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) ou Programa Bolsa Família.
Ações sistematizadas
No PAIF, as idosas participam, da mesma forma, de ações sistematizadas para fortalecer vínculos familiares, prevenir rupturas de laços e promover o acesso a direitos.
Nas atividades desenvolvidas no CRAS Vila Falcchi pelo PAIF, são realizadas oficinas com famílias, reuniões, palestras, atividades externas, bailes, festas, visitas domiciliares e acompanhamento individualizado.
“Eu venho aqui faz dois anos. Não fui à praia, mas venho aqui para conversar e ensinar crochê”, disse a aposentada Marlene Tereza Taicella. “A Josefa parecia uma menininha no mar”, disseram. “Aqui eu me distraio. Toda quarta-feira, diabetes, pressão alta e as doenças somem quando chego no grupo”, falou, em resumo, Josefa de Lima.
Maridete Gomes é uma artista do artesanato. Ela faz e ensina o bordado do tipo Renascença.
“E eu gostei muito de ver o mar, o caminho, a estrada, o alto da serra… E minha família ficou feliz de me ver feliz”, explicou.
Ela era triste quando começou a frequentar o grupo. Mas foi ali que encontrou apoio e aprendeu a se expressar.
Maria Francisca de Souza Lima adorou, da mesma forma, o passeio.
“Fazia 30 anos que eu não via o mar e o CRAS me deu esta chance. É só meu velho e eu. Aqui no grupo tive a luz que precisava para sobreviver”, avalia Francisca.
“A diferença que o grupo fez na vida delas é gratificante. Enquanto servidora, é passo que sou paga. Mas, fui estudar e me especializar em Gerontologia para lidar com pessoas idosas. É muito gratificante! Cada uma tem seus problemas e a gente as ajuda a enxergar uma saída”, disse, em conclusão, a assistente social Regimar Sousa de Abreu, que coordena o grupo.
