Desempenho do trimestre reflete, em primeiro lugar, as incertezas do cenário externo, com conflitos geopolíticos e guerra tarifária
A Braskem registrou, acima de tudo, um EBITDA recorrente de US$ 109 milhões (R$ 589 milhões) no quarto trimestre de 2025.
O resultado é menor do que o registrado no 3T25, mas principalmente em função da continuidade do ciclo de baixa prolongado da indústria global.
“A dinâmica da indústria petroquímica seguiu impactada pelas incertezas do cenário externo considerando os conflitos geopolíticos e a guerra tarifária que pressionou ainda mais os spreads químicos e petroquímicos no mercado internacional. A Braskem segue implementando medidas estratégicas voltadas à geração sustentável de valor, com ênfase na maximização do EBITDA e na eficiência no uso de caixa”, afirma Roberto Ramos, CEO da companhia.
Ao final do trimestre, a dívida bruta corporativa totalizou US$ 9,4 bilhões, com posição de caixa de US$ 2,1 bilhões.
Isso, considerando a linha stand-by de US$ 1 bilhão com vencimento em dezembro de 2026.
A alavancagem corporativa ficou em 14,74x, sendo impactada pelo menor EBITDA registrado no ano.
Utilização das centrais petroquímicas
No 4T25, o segmento Brasil e América do Sul apresentou taxa média de utilização das centrais petroquímicas de 59%, menor em 6 pontos percentuais, frente ao trimestre anterior, impactada principalmente pela parada programada na planta da Bahia e pela adequação da produção à sazonalidade do período. As vendas de resinas no mercado brasileiro foram menores em 6% em função, principalmente, da menor demanda do mercado no período dada a sazonalidade.
Nos Estados Unidos e na Europa, a taxa de utilização caiu 8 pontos percentuais, devido às paradas programadas nas unidades europeias e à otimização dos estoques nas duas regiões. No México, a taxa de utilização foi de 85% no 4T25, maior em 38 pontos percentuais em relação ao 3T25, em função da normalização operacional após a parada geral de manutenção finalizada em julho de 2025, e impulsionada pelo maior fornecimento de etano importado.
Desempenho por segmento
No Brasil e na América do Sul de forma geral, o spread médio de resinas e dos principais químicos no mercado internacional recuou no 4T25, de modo a registrar queda de 13% e 9%, respectivamente, em relação ao trimestre anterior, o que reflete a continuidade do ciclo prolongado de baixa na indústria petroquímica. Nesse contexto, o volume total de vendas também foi menor, ajustado à dinâmica dos spreads. O EBITDA recorrente do segmento no 4T25 foi de US$ 143 milhões.
No segmento Estados Unidos e Europa, o spread médio de PP foi menor em 4% frente ao 3T25 em função. O volume de vendas de PP do segmento foi menor em 3% em relação ao último trimestre em função, principalmente, da sazonalidade do período. O segmento apresentou EBITDA recorrente negativo de US$32 milhões.
No segmento México, o spread de PE base etano foi 14% menor frente ao 3T25. O volume de vendas foi maior em 52%, sendo impactado pela maior taxa de operação e disponibilidade de produto, em função da retomada da produção após parada programada da central petroquímca. O segmento fechou o trimestre com EBITDA recorrente de US$ 11 milhões.
Desdobramentos do REIQ
Em janeiro de 2025, foi anunciado, além disso, o REIQ Investimentos.
O mesmo consiste no crédito presumido de 1,5% de PIS/COFINS vinculados a investimentos na indústria química brasileira.
E a companhia permanece avançando em seus projetos de ampliação de capacidade por meio do recurso do REIQ Investimentos, além de focar em tecnologia para a eficiência na cadeia de resinas e na adequação de processo para produção industrial de novos grades de copolímeros.
“A Braskem tem foco na implementação das iniciativas previstas em seu Programa Global de Resiliência e Transformação, de modo a considerar os relevantes impactos decorrentes do prolongado ciclo de baixa de toda a indústria e do setor químico brasileiro”, complementa, da mesma forma, Ramos.
Atualizações de Alagoas
Em novembro de 2025, a Braskem firmou acordo com o estado de Alagoas para a reparação integral dos danos relacionados ao evento geológico na região, estabelecendo o pagamento de R$ 1,2 bilhão, parte já quitada e o restante previsto em parcelas futuras.
Ao longo do ano, a companhia avançou significativamente nas frentes de atuação em Maceió, com 99,9% das propostas apresentadas pelo Programa de Compensação Financeira, sendo que cerca 99,6% aceitas e 99,5% pagas, e progresso no fechamento e monitoramento das cavidades — o que inclui seis já totalmente preenchidas e outras em andamento — além dos avanços nas iniciativas sociourbanística, com seis dos 11 projetos concluídos e os demais em execução ou planejamento, refletindo, em conclusão, cumprimento consistente das obrigações assumidas e melhoria do ambiente local.
