Acordo Mercosul–UE fortalece inserção global da indústria química brasileira, avalia Abiquim

In ABCD, Canto do Joca, Economia On
- Updated
André Passos, presidente da Abiquim

Entidade destaca oportunidades de ampliação de exportações, intercâmbio tecnológico e avanço da agenda ESG com o acordo entre os dois blocos

A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) avalia de forma positiva, em primeiro lugar, a conclusão do Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia, aprovado na semana passada pelos países do bloco europeu.

Para a entidade, trata-se, acima de tudo, de um marco estratégico para a indústria química brasileira.

Ele amplia o acesso a um dos maiores mercados consumidores do mundo, estimula investimentos e fortalece a inovação.

Além disso, impulsiona uma agenda de sustentabilidade alinhada aos princípios ESG.

“O acordo representa uma oportunidade concreta de reposicionar a indústria química brasileira em cadeias globais de maior valor agregado. Ele amplia o acesso a mercados, incentiva o intercâmbio tecnológico e cria um ambiente mais previsível e moderno para investimentos, especialmente em áreas como bioeconomia, química de base renovável e energia limpa”, afirma, em resumo, André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim.

Segundo ele, o tratado também contribui, além disso, para elevar os padrões regulatórios e de governança do setor.

“Ao incorporar temas como sustentabilidade, propriedade intelectual e comércio leal, o acordo reforça práticas responsáveis e aproxima a indústria química brasileira das exigências do mercado europeu, o que é fundamental para a competitividade de longo prazo”, destaca, em suma.

A Abiquim ressalta ainda que o fortalecimento da relação comercial entre os dois blocos ocorre em um momento estratégico.

Momento em que o Brasil busca ampliar sua inserção internacional, diversificar exportações e promover a reindustrialização com base em inovação e baixo carbono.

“É um passo relevante para gerar empregos qualificados, estimular investimentos produtivos e contribuir para o crescimento econômico do País”, fala Passos Cordeiro, em conclusão.

Aprovação política e próximos passos

Na manhã de sexta-feira (09.01), os países da União Europeia deram aval político ao acordo de livre comércio com o Mercosul.

O Mercosul é considerado o maior do mundo nesse formato, ao integrar um mercado potencial de cerca de 718 milhões de consumidores.

Apesar da resistência de países como França e Itália, os Estados-membros autorizaram a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a formalizar a assinatura do tratado.

As negociações tiveram início em 1999 e ganharam impulso ao longo de 2024, com protagonismo de países como Brasil, Espanha e Alemanha.

No caso da Itália, a aprovação esteve condicionada a negociações paralelas com a Comissão Europeia.

Isso, incluindo discussões sobre subsídios ao setor agrícola e ajustes na aplicação da taxa de carbono sobre fertilizantes importados.

Apesar do avanço institucional, o acordo passará a produzir efeitos jurídicos após a conclusão dos trâmites internos de ratificação.

O texto prevê a possibilidade de entrada em vigor de forma bilateral, a partir do primeiro dia do mês seguinte à notificação da conclusão desses processos.

Na prática, isso significa que o acordo poderá começar a valer entre a União Europeia e o Brasil — ou qualquer outro país do Mercosul — assim que ambas as partes concluírem a ratificação em seus respectivos Parlamentos.

Sobre o Acordo Mercosul–União Europeia

O Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia cria uma das maiores zonas de livre-comércio do mundo.

Afinal, integra dois grandes blocos econômicos que, juntos, reúnem cerca de 718 milhões de pessoas e um PIB aproximado de US$ 22 trilhões.

Medido pelo tamanho das economias e das populações envolvidas, trata-se de um dos mais relevantes acordos bilaterais de livre comércio já negociados.

O tratado prevê ampla liberalização tarifária para bens industriais e agrícolas, com prazos de desgravação escalonados.

Sempre respeitando as especificidades e sensibilidades de cada mercado.

A oferta do Mercosul contempla a liberalização de aproximadamente 91% dos bens e 85% do valor das importações brasileiras provenientes da União Europeia.

Já a oferta europeia abrange cerca de 95% dos bens e 92% do valor das importações oriundas do Brasil.

O acordo também incorpora capítulos modernos sobre sustentabilidade, compras governamentais, propriedade intelectual e novas tecnologias.

Estudos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que, no longo prazo, o acordo pode gerar um efeito positivo de 0,34% sobre o PIB brasileiro, além de elevar investimentos, salários reais e exportações, e reduzir o nível de preços ao consumidor.

Para mais detalhes sobre o fluxo comercial do setor, incluindo os principais produtos químicos exportados e importados entre Brasil e União Europeia, acesse o Relatório Estatístico Brasil–União Europeia – Produtos Químicos – Comparativo – Janeiro a Dezembro de 2024–2025.

You may also read!

Qualifica Mauá está com 70 vagas abertas para cursos profissionalizantes gratuitos

Inscrições devem ser feitas presencialmente na Casa de Cursos ou na Secretaria de Trabalho, Renda e Empreendedorismo A Prefeitura de

Read More...

Corredor do BRT-ABC conecta moradores e expectativa por inclusão e oportunidades

Transtornos das obras próximo ao conjunto da Cohab no Cidade Heliópolis são inevitáveis, mas mesmo assim moradores celebram facilidade

Read More...

Anvisa aprova nova indicação de medicamento para prevenção do HIV-1

Fármaco Sunlenca (lenacapavir) impede, por exemplo, a replicação do vírus e estará disponível em comprimido oral ou por injeção

Read More...

Leave a reply:

Your email address will not be published.

Mobile Sliding Menu