Joaquim Alessi
Quem, a exemplo deste escriba, teve a honra de ouvir, em primeiro lugar, primeiríssima mão, em 1989, a gravação em fita cassete do jingle “Lula lá, Brilha uma estrela”, consegue comparar o impacto das canções: muito semelhantes.
Lembro até hoje. Faltavam minutos para as 5h da madrugada, apenas três jornalistas ao lado do então pré-candidato à Presidência da República, na portaria da Volks, em São Bernardo, para cobrir a chamada “Porta de Fábrica”.
Florestan Fernandes Júnior, pela antiga TV Manchete (hoje Rede TV); um correspondente de O Dia, do Rio, que não consigo lembrar o nome; e este jornalista que aqui escreve.
Alguém chegou com um pequeno gravador à pilha, uma fita cassete e bradou: “Está pronto! Ouçam o jingle!!!”
Emoção geral logo aos primeiros acordes da criação de Hilton Aciloli, inspirada no símbolo da estrela criado por Carlito Maia, também pai do “OPTei”.
Um parênteses: Carlito,publicitário, morreu em meados de 2002, e portanto não viu Lula vencer sua primeira eleição presidencial. Uma pena!
Mas, todo esse “nariz de cera” – como se dizia no Jornalismo de antigamente – para falar da emoção de sentir que a música faria história.
A história se repete
Mesma emoção sentida ao ouvir detalhadamente, pela primeira vez, esse samba-enredo da Acadêmicos de Niterói, que desfila na noite de deste domingo.
Admito o atraso em checar com detalhes a genial criação de Teresa Cristina, André Diniz, Paulo Cesar Feital, Fred Camacho, Junior Fionda, Arlindinho (Arlindo Cruz Jr.), Lequinho, Thiago Oliveira e Tem-Tem Jr., magistralmente interpretada por Emerson Dias.
Na correria do dia a dia, passou, mas hoje, dia de a obra entrar na avenida, a passarela do samba, fazia necessário ouvir com atenção.
Para quem viveu de perto, pessoalmente, alguns momentos dessa trajetória, impossível conter as lágrimas.
Independente de ideologia, preferência partidária, ou seja lá o que isso for, está o fato de sentir-se parte da história.
Assim como, certeza absoluta, milhões de cidadãs e cidadãos vistos e representados neste vídeo abaixo, sentir-se-ão.
O samba é muito mais que o enredo de Lula. É de uma Nação majoritariamente enredada no curso dessa História.
O resto, pode até ser entendido do jeito que for, ter o julgamento que tiver, do Supremo e quem quiser, mas algo é certo:
Essa história jamais será apagada!
Estava lá
Nesse vídeo abaixo, do clipe oficial Rio Carnaval, aparece uma breve cena aos 00;09 da exibição.
Lula em assembleia no lendário estádio de Vila Euclides, onde, por coincidência, quase na hora do desfile, hoje, o Bernô encara o seu Corinthians.
Cobri essa assembleia, e me lembro de ter dito a Lula que os números sempre foram exagerados. Jamais caberia 100 mil pessoas naquela praça de esportes.
Lula argumentou: “Se botar seis pessoas por metro quadrado…”
E eu retruquei, brincando: “Com o tamanho das nossas barrigas???”
Hoje, em conclusão, Lula está magrinho, afinado literalmente, pronto para curtir o samba, enredo de sua vida! Da nossa!!!
