É macho o Bugio de espécie ameaçada de extinção nascido no Zoológico de São Bernardo

In ABCD, Canto do Joca On
Fotos: Divulgação/PMSBC

Mistério acerca do sexo do primata só foi esclarecido mais de 40 dias depois do nascimento, quando o filhote deixou as costas da mãe e circulou pela primeira vez pelo espaço onde a família vive, no Parque Estoril

O Zoológico de São Bernardo, no Parque Municipal Estoril, no Riacho Grande, registrou um marco científico em 1º de dezembro de 2025.

Foi o nascimento de um filhote de bugio ruivo, mas apenas mais de 40 dias depois, é que o mistério em torno do sexo do animal foi encerrado.

Em 13 de janeiro, portanto, a equipe que atua no equipamento descobriu que se trata de um macho.

O nascimento de um filhote dessa espécie em cativeiro foi muito comemorado, acima de tudo, pelos profissionais que cuidam do espaço.

Afinal, trata-se, em suma, de uma das espécies de primatas mais ameaçadas de extinção no planeta. 

O nascimento também foi celebrado, da mesma forma, como uma vitória das ações de manejo e proteção da fauna.

Inclusive porque não é muito comum o registro de casos de reprodução dessa espécie em cativeiro.

Nos últimos anos foram três nascimentos da espécie em zoológicos: Cascavel, no Paraná (2021), Brasília (2024) e Ribeirão Preto, em São Paulo (2023).

Os pais do filhote são animais resgatados que encontraram no Zoo de São Bernardo, equipamento sob o guarda-chuva da Secretaria de Serviços Urbanos, um ambiente seguro para o recomeço.

Aniversário de 40 anos do ZOO SBC

Filho de Joana e Gil

Ele é filho do casal Joana e Gil, acolhidos filhotes como resgate de fauna silvestre.

Gil foi encontrado ainda filhote e machucado, talvez atacado pelo bando por ser macho – nem sempre o macho alfa (líder do grupo) aceita o que pode vir a ser um concorrente.

Joana foi encontrada presa às costas da mãe, morta por acidente elétrico, e a primata perdeu um braço.

Os dois cresceram nos recintos do Zoológico e formaram o casal. 

Sobre o tempo entre o nascimento e saber o sexo, a bióloga Julia Alice Vila Furgeri, que também trabalha na divulgação científica do Zoológico, explicou que desde o nascimento até 13 de janeiro ele ficou pendurado na mãe, o que impossibilitou a identificação.

“Ninguém da nossa equipe, formada por veterinários, biólogos e tratadores, encostou nos animais nesse tempo, só observamos de longe. E só agora ele (o filhote) começou a explorar o recinto, a ponto de a gente conseguir ver que é um macho”, explicou.

“Além de ser um nascimento em cativeiro, é um filhote de pais que cresceram neste mesmo ambiente. O Gil foi criado na mamadeira, então, mesmo tendo como referência diversos trabalhos sobre o comportamento da espécie e também mantendo contato com diferentes instituições que manejam essa espécie, a observação constante deles é muito importante”, assinalou.

Outros cuidados

A profissional também explicou que a equipe tomou outros cuidados para proteger os pais e o filhote.

Entre eles, colocar uma chapa de madeira na parte de vidro do recinto, apenas com alguns buracos para que os visitantes possam ver o casal e o filhote.

“Todos esses cuidados foram tomados para evitar o estresse e a rejeição do filhote pelo casal”, disse Julia Alice.

Ela ensinou também, da mesma forma, o nome científico da espécie: Alouatta guariba.

O filhote depende exclusivamente do aleitamento, e está sendo acompanhado em observação à distância pelos profissionais do Zoo.

Por isso, ainda não foi medido e pesado.

Essa espécie, segundo a bióloga, mede entre 45 cm e 70 cm e pesa entre 5 kg e 10 kg quando adulta.

Mas o bebê, que apenas mama, deve ter em torno de 20 cm e 600 gramas.

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