Seminário regional discutiu, acima de tudo, políticas públicas voltadas às populações negra, indígena e imigrante e a importância da equidade no atendimento
O Consórcio Intermunicipal do ABCD realizou, neste sábado (07.11), o Seminário Regional “Construindo as Políticas Públicas de Saúde Étnico-Raciais no Grande ABC”.
O encontro reuniu, em primeiro lugar, representantes do poder público, da sociedade civil e de movimentos sociais.
Todos para discutir, em suma, a construção e o fortalecimento de políticas públicas de saúde voltadas às populações negra, indígena e imigrante.
A abertura contou com a participação do secretário-executivo do Consórcio ABC, Gilmar Viana; de José Gomes, representante do Comitê Regional de Saúde da População Negra do Grande ABC; da vereadora Paty Ferreira, de Diadema; e de João Moreira, o Mestre Pelé, coordenador regional de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial.

Em sua fala, o secretário-executivo do Consórcio destacou a importância da mobilização social e das políticas afirmativas para a redução das desigualdades.
Organização
Ao abordar os avanços registrados na educação por meio das ações afirmativas e da Lei de Cotas, ressaltou que as conquistas sociais são resultado da organização da sociedade e da luta por direitos.
“Desenvolvimento sustentável é, sobretudo, o crescimento do capital humano. Para ter capital humano, precisa ter saúde e precisa ter educação. Precisa ter habitação. O capital humano é ponto central para o desenvolvimento sustentável”, afirmou, em resumo.
Viana também reforçou o papel do Consórcio como espaço de articulação regional.
Além disso, colocou a capacidade institucional da entidade à disposição dos participantes para contribuir com o avanço das pautas discutidas no seminário.
Políticas públicas conjuntas
O primeiro painel teve como tema “Políticas de Saúde das Populações Indígena, Negra e Imigrantes”.
A discussão contou com a participação do procurador da República Steven Shuniti Zwicker, que atua em São Bernardo do Campo; Marcos Moreira da Costa, da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo; Tânia Magali Santos (Ãgohó Ãkirê), do Conselho Municipal de Gestão e Saneamento Ambiental de Santo André (Comugesan); e Elaine Cristina de Souza (Elaine Pankará), ativista indígena.
O debate abordou as especificidades do atendimento às diferentes populações e a necessidade de considerar as características e demandas de cada grupo na formulação e implementação das políticas públicas de saúde.
O segundo painel abordou o tema “Quesito raça/cor e sua importância no preenchimento dos registros.
A atividade reuniu Marcia Damaceno, do Comitê Técnico de Saúde da População Negra de Diadema; Gilmara Nascimento da Silva, do Hospital Municipal Piraporinha, de Diadema; e Maria Aparecida Santos, da Escola da Saúde e do Comitê Técnico de Saúde da População Negra de Santo André.
Informações qualificadas
Durante o encontro, representantes da sociedade civil ressaltaram a importância da produção de informações qualificadas para identificar desigualdades e orientar a formulação de políticas públicas capazes de atender às necessidades específicas da população negra.
Coordenador regional de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial, Mestre Pelé destacou que a proposta do seminário foi reunir diferentes segmentos em torno da construção de ações concretas.
Segundo ele, o debate envolve não apenas o atendimento em saúde, mas também as formas de acolhimento, a formação dos profissionais e o reconhecimento das especificidades de cada população.
“Não é somente o atendimento à saúde, é a forma de atender, é o letramento, é toda aquela forma quando você vai estar lá na ponta”, afirmou Mestre Pelé.
O coordenador regional também destacou iniciativas desenvolvidas pelos municípios do ABCD relacionadas à promoção da igualdade racial e à valorização da população negra, além da importância da articulação regional e da participação das cidades, em conclusão, nas atividades voltadas à temática.












