Competição internacional apoiada pela Abiquim reuniu estudantes de 15 países em Fortaleza, e o Brasil conquistou três medalhas de prata e uma de bronze
A curiosidade despertada em sala de aula, em primeiro lugar, as descobertas em laboratório e a dedicação aos estudos podem abrir caminhos para diferentes áreas do conhecimento e da inovação.
Para quatro estudantes brasileiros que conquistaram medalhas na XXX Olimpíada Ibero-Americana de Química, em Fortaleza (CE), de 13 a 19 de outubro, a experiência internacional representou também, acima de tudo, uma oportunidade de ampliar horizontes e transformar o interesse pela ciência em projetos para o futuro.
Aos 18 anos, Ruan Cortês da Trindade, natural do Rio de Janeiro e estudante do Colégio Ari de Sá, em Fortaleza, conquistou, portanto, a medalha de prata após descobrir, nas aulas experimentais, uma nova forma de se conectar com a Química.
O incentivo de um professor, que identificou seu potencial e o estimulou a participar de olimpíadas científicas, foi importante para aproximá-lo
da disciplina.
Experiência
A experiência de observar compostos mudarem de cor durante uma reação e acompanhar, na prática, fenômenos estudados na teoria fortaleceu seu interesse pela área.
Também medalhista de prata, Breno Barros de Vasconcelos, de 18 anos, aluno do Farias Brito, em Fortaleza, enfrentou dois anos de preparação intensa para chegar à competição.
Em alguns períodos, dedicou cerca de10 horas diárias aos estudos.
Manter a motivação diante do cansaço e da rotina exigente foi um dos principais desafios.
A experiência reforçou seu interesse pela engenharia, especialmente em atividades relacionadas à produção de medicamentos e à pesquisa.
Para Davi Lisboa do Nascimento, de 18 anos, a medalha de bronze veio acompanhada de aprendizados que ultrapassaram o conteúdo das provas.
Natural de Palmas (TO) e morador de Fortaleza há dois anos, onde também estuda no Farias Brito, ele destacou o contato com participantes de outros países como uma das experiências mais marcantes de sua trajetória.
Reflexão
Durante a 60ª Olimpíada Internacional de Química Mendeleev (IMChO), em Moscou, em abril de 2026, uma conversa com um estudante chinês o levou a refletir sobre a dedicação necessária para aprofundar o conhecimento.
Na avaliação de Davi, as olimpíadas científicas permitem ir além da preparação para provas e vestibulares, estimulando os estudantes a explorar suas capacidades e descobrir novos interesses.
Embora não pretenda seguir carreira diretamente na Química, Davi planeja cursar engenharia e desenvolver soluções relacionadas a combustíveis e baterias elétricas, com foco em tornar o cotidiano mais prático e sustentável.
A aplicação do conhecimento científico a desafios concretos também está nos planos de Marton Sousa Soares, de 18 anos, medalhista de prata, estudante do Colégio Master e morador de Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza.
Seu objetivo é ingressar no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e trabalhar na área de energias renováveis.
O resultado brasileiro – três medalhas de prata e uma de bronze – destaca o desempenho dos estudantes e evidencia diferentes possibilidades de aplicação do conhecimento científico.
Entre a pesquisa, a engenharia, a produção de medicamentos e as energias renováveis, as trajetórias dos quatro jovens mostram como o estímulo à curiosidade e a participação em competições científicas podem, em conclusão, contribuir para a formação de talentos preparados para os desafios tecnológicos do futuro.
