Por Clara Laface *
Quando o ambiente de negócios piora, a tendência é imaginar que as empresas vão olhar primeiro para custos, tecnologia, produtividade e resultado. E vão. Mas a pesquisa Perspectiva dos Conselheiros e Executivos, do IBGC, mostra que existe outro ponto ganhando peso: liderança. Mesmo diante de um cenário mais difícil, desenvolver pessoas continua entre as principais prioridades das organizações. Isso diz muito sobre o momento que estamos vivendo.
Empresas não conseguem controlar tudo o que acontece fora delas. Não controlam a economia, a carga tributária, as tensões políticas ou as mudanças regulatórias. Mas conseguem escolher quem toma decisões, quem lidera equipes e quem representa a organização em momentos de pressão.
O levantamento também ajuda a entender por que o desenvolvimento de capital humano aparece tão perto de temas como transformação digital e expansão de mercado. Porque, no fim, tecnologia sozinha não decide e estratégia sozinha não executa. São pessoas que interpretam cenários, negociam, comunicam, assumem riscos e conduzem outras pessoas em meio à incerteza.
A pesquisa também coloca a sucessão entre as prioridades dos conselhos. E esse é um ponto importante. Escolher quem está pronto para ocupar uma posição maior não é apenas olhar para currículo. Também envolve confiança. Quem consegue lidar com mais complexidade? Quem transmite segurança? Quem sabe se posicionar diante de diferentes públicos? Quem representa bem a organização quando a pressão aumenta?
É aqui que muitos profissionais acabam esbarrando em uma diferença importante: uma coisa é estar preparado; outra é ser percebido como preparado. Competência continua sendo essencial, mas, conforme a carreira avança, ela deixa de ser o único critério. Comunicação, reputação, capacidade de influência e leitura de ambiente começam a pesar muito mais.
Isso não tem a ver com aparecer mais ou tentar construir uma imagem artificial. Tem a ver com tornar visível, ao longo do tempo, a forma como você pensa e assume responsabilidades. Ninguém consegue acessar tudo o que você sabe ou tudo o que você poderia fazer. As pessoas tomam decisões com base no que conseguem perceber de você.
Em cenários de incerteza, empresas procuram reduzir riscos onde podem. E pessoas confiáveis e capazes de assumir mais responsabilidade passam a ter ainda mais valor. Além de estar pronto para o próximo passo, o que você tem feito para que os outros também consigam enxergar isso?
Sobre Clara Laface
Consultora em posicionamento de marca pessoal, apoia líderes, executivos, empresários e profissionais em fases de crescimento, reposicionamento ou recolocação no mercado.
No ambiente corporativo, atua em comunicação interna e gestão de crise, com foco no alinhamento de mensagens, fortalecimento da cultura e engajamento de equipes. Ministra treinamentos e palestras sobre posicionamento profissional e comunicação. Foi VP de Marketing da AICI Brasil (2022–2024), é colunista do Portal Be News e docente na Comunica Escola de Comunicação e Imagem.
