*Por Luís Pazin, diretor Industrial da Braskem São Paulo
Algumas histórias são construídas ao longo do tempo. Outras são construídas pelo tempo.
A trajetória da PE 7, em Santo André, reúne as duas dimensões.
Em 1972, quando a unidade iniciou suas operações, a indústria petroquímica brasileira vivia um momento de transformação e o Grande ABC consolidava sua vocação industrial.
De lá para cá, muita coisa mudou. Mudaram as tecnologias, os processos produtivos, as exigências da sociedade e a própria forma de enxergarmos o papel da indústria. O que permaneceu foi a capacidade de evoluir.
Celebrar os 54 anos da PE 7, portanto, não é apenas olhar para trás. É reconhecer tudo o que foi construído e, principalmente, refletir sobre o que precisamos fazer para continuar avançando.
Uma unidade industrial que atravessa mais de cinco décadas não se mantém relevante apenas pela sua longevidade. Ela precisa se transformar. Precisa incorporar novas tecnologias, aprimorar processos, aumentar sua eficiência e, acima de tudo, colocar a segurança das pessoas no centro de cada decisão.
Foi assim que a PE 7 chegou até aqui: acompanhando as transformações da indústria petroquímica e incorporando, ao longo dos anos, novos padrões de operação, automação, confiabilidade e gestão.
Mas a indústria de hoje também nos apresenta desafios que vão muito além da eficiência produtiva. Precisamos produzir melhor, utilizar os recursos de forma mais responsável e avançar na construção de uma economia cada vez mais circular. Precisamos reduzir impactos, buscar eficiência energética e hídrica e desenvolver soluções capazes de responder às necessidades de uma sociedade em transformação.
Essa evolução se reflete também nos padrões e práticas que orientam a operação da PE 7 atualmente. A planta reúne certificações e reconhecimentos relacionados à qualidade, à gestão ambiental, à integridade, à segurança de alimentos, à sustentabilidade e às boas práticas operacionais.
Esses números são importantes, mas não contam toda a história.
Por trás de cada modernização, de cada melhoria de processo e de cada certificação existem pessoas. São profissionais que dedicaram parte de suas vidas à unidade, que acumularam conhecimento e experiência e que ajudaram a construir uma cultura industrial que atravessa gerações.
É impossível falar dos 54 anos da PE 7 sem falar dessas pessoas.
Também é impossível falar dessa trajetória sem reconhecer a relação construída com o território. Uma indústria não existe isoladamente. Ela faz parte de uma comunidade, de uma cidade e de uma região. No caso da PE 7, essa relação se constrói há mais de cinco décadas com o ABC e com as comunidades que convivem com a nossa operação.
Por isso, transparência e diálogo são tão importantes quanto tecnologia e eficiência. É preciso ouvir, explicar, abrir espaços de conversa e permitir que as pessoas conheçam de perto aquilo que muitas vezes está presente no cotidiano, mas permanece invisível.
O programa Formando Laços é uma expressão concreta dessa visão. Ao receber moradores, estudantes, lideranças comunitárias e representantes de instituições para conhecer nossas unidades, criamos oportunidades para apresentar nossos processos, nossas práticas de segurança e nossas iniciativas de sustentabilidade e economia circular.
Em 2025, foram 146 agendas e 3.482 visitantes no ABC. Mais do que números, são milhares de oportunidades de diálogo e de aproximação.
Esse relacionamento é especialmente importante em uma região como o Grande ABC, cuja história está profundamente ligada à indústria. O desenvolvimento industrial ajudou a transformar a economia, gerar empregos, formar profissionais e criar uma identidade regional. Ao mesmo tempo, sabemos que o futuro da indústria exige uma nova postura: mais aberta, mais inovadora, mais eficiente e cada vez mais conectada às necessidades da sociedade.
É esse o desafio que temos pela frente.
Os próximos 54 anos certamente serão diferentes dos primeiros. A velocidade das transformações tecnológicas será maior. A transição para uma economia de baixo carbono continuará exigindo inovação. A circularidade dos materiais ganhará ainda mais espaço. E a sociedade seguirá demandando das empresas não apenas bons produtos e resultados, mas responsabilidade, transparência e compromisso com o futuro.
Para nós, isso significa continuar investindo em pessoas, tecnologia e inovação. Significa manter a segurança como um valor inegociável e buscar continuamente formas mais eficientes e sustentáveis de operar.
Significa também preservar aquilo que aprendemos ao longo de mais de cinco décadas: uma indústria forte é aquela que consegue olhar para o futuro sem esquecer a história que a trouxe até aqui.
A PE 7 chega aos 54 anos como parte da história industrial do ABC, mas não como uma história encerrada. Pelo contrário. Seu maior legado talvez esteja justamente na capacidade de continuar mudando.
E é com esse espírito que celebramos este aniversário: reconhecendo o passado, valorizando as pessoas que construíram essa trajetória e olhando para frente com a certeza de que ainda há muito a transformar.
