Desde junho, Hospital Nardini dispõe, em primeiro lugar, de seis tipos de soros antivenenos; estrutura amplia a capacidade de atendimento e reforça a assistência no período de maior atenção aos escorpiões
Referência microrregional em saúde, Mauá conta, acima de tudo, com ponto estratégico para aplicação de soros antivenenos destinados ao tratamento de acidentes causados por animais peçonhentos.
O serviço funciona desde junho no Hospital de Clínicas Dr. Radamés Nardini.
E amplia, além disso, a capacidade de resposta para ocorrências que exigem avaliação médica rápida e, quando indicada, administração de antiveneno em ambiente hospitalar.
Ao todo, seis tipos de soros estão disponíveis no município: antiescorpiônico, para acidentes com escorpiões; anticrotálico, indicado para acidentes com cascavéis; antiaracnídico, utilizado em casos envolvendo determinadas espécies de aranhas e escorpiões; antibotrópico, destinado a acidentes provocados por serpentes do gênero Bothrops, como as jararacas; antilonômico, para acidentes causados por lagartas do gênero Lonomia, conhecidas popularmente como taturanas; e antielapídico, utilizado em acidentes com corais-verdadeiras.
A disponibilidade dos antivenenos representa importante reforço à assistência, já que a soroterapia é um tratamento específico, indicado de acordo com o animal envolvido e a avaliação clínica do paciente.
Aplicação no hospital
A aplicação deve ocorrer, em primeiro lugar, em ambiente hospitalar, sob supervisão de profissionais de saúde.
Nos acidentes escorpiônicos, por exemplo, o soro antiescorpiônico é o tratamento específico. Conforme a avaliação médica, o soro antiaracnídico também pode ser utilizado quando o primeiro não estiver disponível.
A estrutura ganha ainda mais relevância neste período do ano, marcado, acima de tudo, pela intensificação das ações de vigilância e prevenção aos acidentes com escorpiões.
Agosto e setembro concentram, portanto, maior atenção devido ao aumento da atividade desses animais. Neste ano, a Semana Estadual de Enfrentamento ao Escorpionismo ocorre entre 24 e 28 de agosto.
Entre as espécies de importância para a saúde pública está o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), que apresenta elevada capacidade de adaptação ao ambiente urbano e pode provocar quadros graves de envenenamento.
Atenção no ano todo
Em Mauá, a atenção ao tema ocorre durante todo o ano. O município possui fragmentos de Mata Atlântica próximos a áreas urbanizadas, característica que pode favorecer a existência de ambientes com abrigo e alimento para animais peçonhentos. Por isso, a Secretaria Municipal de Saúde desenvolve ações permanentes de educação em saúde e prevenção de acidentes em escolas, feiras, empresas, praças e unidades das redes pública e privada de saúde.
As iniciativas orientam a população sobre medidas preventivas, identificação de situações de risco e cuidados necessários diante da presença desses animais. O trabalho também inclui o monitoramento das ocorrências e ações de vigilância para subsidiar as estratégias de prevenção no município.
Em 2025, foram registrados em Mauá seis acidentes causados por escorpiões e cinco por serpentes. Em 2026, até o momento, foram contabilizadas duas ocorrências envolvendo escorpiões e uma com serpente. Nenhum dos casos foi classificado como grave, embora dois acidentes provocados por serpentes tenham exigido internação das vítimas.
Escorpiões
Os dados de vigilância também mostram a presença de escorpiões no território. Nos casos em que a Secretaria Municipal de Saúde foi acionada, foram registrados 35 avistamentos ou recolhimentos desses animais em 2025. No primeiro semestre de 2026, foram contabilizados 12.
A prevenção começa dentro de casa e se estende nos espaços externos. Entre as principais recomendações estão manter quintais e jardins limpos, evitar acúmulo de entulho, folhas secas e materiais que possam servir de abrigo, acondicionar corretamente o lixo e controlar a presença de baratas e outros insetos, que fazem parte da alimentação dos escorpiões.
Também é importante vedar frestas, buracos e ralos, além de utilizar telas ou tampas apropriadas nos pontos de acesso. Roupas, calçados e roupas de cama devem ser examinados antes do uso, especialmente quando permaneceram no chão ou ficaram armazenados por algum período. A população deve ainda evitar colocar as mãos em buracos, sob pedras, troncos ou outros locais que possam abrigar animais peçonhentos.
Orientações
Em caso de acidente, a orientação é não utilizar tratamentos caseiros.
O local deve ser lavado com água e sabão, e a vítima deve procurar atendimento médico o mais rapidamente possível.
Nos acidentes com escorpiões, a atenção deve ser redobrada quando a vítima é uma criança, grupo mais suscetível ao desenvolvimento de manifestações sistêmicas graves.
A Secretaria Municipal de Saúde orienta que a população não tente capturar animais peçonhentos caso isso represente risco.
Quando for possível fazer o registro com segurança, uma fotografia do animal pode auxiliar na identificação e na avaliação do caso pela equipe de saúde.
Emergências
Em situações de emergência, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) pode ser acionado pelo telefone 192.
Quem identificar ou recolher um escorpião com segurança deve entrar em contato, por exemplo, com a Unidade de Vigilância de Zoonoses de Mauá pelo telefone (11) 4512-7499.
Segundo Eliene de Paula Pinto, secretária municipal de Saúde, a informação é, acima de tudo, uma ferramenta de saúde pública.
“Orientamos os moradores a procurar imediatamente um serviço de saúde em caso de acidente. A rede municipal está preparada para acolher esses pacientes, avaliar a gravidade da ocorrência e indicar o tratamento adequado”, afirmou.
“Trabalhamos para fortalecer continuamente a rede de saúde de Mauá, unindo assistência, vigilância e prevenção. A população tem papel essencial nesse processo, principalmente na adoção de cuidados dentro de casa e na comunicação de situações que possam representar risco à comunidade”, acrescentou, em conclusão, a secretária.
