Última semana da exposição sobre o Massacre do Carandiru no Instituto Çarê

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Fotos: Divulgação

Cartas, objetos e uma réplica de cela fazem parte da mostra, que propõe uma leitura crítica sobre memória, encarceramento e apagamento histórico

A memória do Massacre do Carandiru e as lacunas deixadas pelo apagamento institucional estão no centro da exposição Memória e Verdade: 33 Anos do Massacre no Carandiru a partir de Acervos Documentais, que entra em seus últimos dias de visitação no Instituto Çarê, na Vila Leopoldina. A entrada é gratuita e fica em cartaz até 13 de fevereiro.

Desenvolvida pelo coletivo Educadores Memórias Carandiru, a exposição integra a segunda edição do Programa de Residência Artística do Instituto Çarê em parceria com o Instituto de Estudos Brasileiros da USP – IEB. O projeto parte da pesquisa em arquivos documentais para discutir quem registra a história, como a registra e quais memórias seguem sendo silenciadas no Brasil.

A mostra aborda diretamente o massacre – operação da Polícia Militar enviada para reprimir uma suposta rebelião no Pavilhão 9 que acabou com um saldo de 111 mortosocorrido em 2 de outubro de 1992 – e a escassez de documentos institucionais sobre o episódio. A ausência de registros no acervo é assumida como elemento central da curadoria, evidenciando os mecanismos de apagamento que atravessam a história do sistema prisional brasileiro. Documentos, imagens e objetos acionam memórias individuais e coletivas a partir do ponto de vista de quem viveu o cárcere, em oposição às versões oficiais.

Cotidiano da vida sob custódia

A mostra percorre o cotidiano da vida sob custódia, reunindo vocabulário do cárcere, correspondências trocadas com familiares, registros da espera e da ausência, além do engenho artesanal da maria-louca, bebida associada à criatividade e à sobrevivência em contextos de privação. Ao evidenciar essas experiências, a exposição amplia a compreensão sobre as condições do encarceramento e confronta visões que historicamente invisibilizam a população prisional.

O coletivo Educadores Memórias Carandiru constrói uma narrativa que confronta o silenciamento histórico e amplia o debate sobre a violência de Estado, encarceramento em massa e direitos humanos. A exposição dialoga com os roteiros de memória realizados pelo grupo no Parque da Juventude, antigo Complexo do Carandiru, apontando pavilhões demolidos, ruínas esquecidas e a permanência do sistema prisional no entorno. O passado aparece como questão em aberto, ainda operando no presente. 

Memória e Verdade: 33 Anos do Massacre no Carandiru a Partir de Acervos Documentais convida o público a olhar para o Carandiru não como capítulo encerrado, mas como ferida histórica aberta.

Sobre o Instituto Çarê

Çarê, para os Mẽbêngôkre, autodenominação do povo Kayapó do Sul, é o broto ou a raiz. O Instituto Çarê identifica, preserva e amplia o acesso a acervos, apoia a pesquisa, fomenta produções artísticas e musicais e promove um modelo inclusivo e plural de educação e convívio. Fundado em 2019, o Çarê é uma associação civil sem fins lucrativos criada como desdobramento da experiência do ateliescola Acaia, com quem pratica vizinhança, bons afetos e experiências. Desde sua origem, o Instituto acolhe e promove a cultura por meio do fazer coletivo e do encontro entre diferentes atores. Localizado na Vila Leopoldina, busca, pela convivência e pelas trocas com o território, onde diferenças sociais e econômicas se apresentam, unir e possibilitar o protagonismo a quem sempre o teve negado. As ações do Instituto são mediadas e viabilizadas por núcleos de ação que trocam entre si e se complementam. Esses núcleos atuam nos campos de acervo, música, artes, socioambiental e editorial. Saiba mais em: https://institutocare.org.br/

Sobre os Educadores Memórias Carandiru

Coletivo formado por educadores, pesquisadores e agentes culturais dedicado à preservação, ativação e disputa das memórias do complexo penitenciário do Carandiru. A partir de pesquisas em acervos documentais, percursos de memória no território do atual Parque da Juventude e ações formativas, o grupo propõe uma leitura crítica sobre o encarceramento em massa, o racismo estrutural e as violações de direitos humanos no sistema penal brasileiro, contribuindo para a luta por memória, verdade, justiça e reparação. Todos os seus integrantes são egressos do sistema penitenciário. Maurício Monteiro, um dos membros, é sobrevivente do Massacre do Carandiru.  

Serviço

Exposição: Memória e Verdade: 33 Anos do Massacre no Carandiru a Partir de Acervos Documentais

Até 13 de fevereiro – De terça a sábado, das 12h30 às 20h30.

Entrada gratuita

OFICINA TRATAMENTO DE ACERVOS FOTOGRÁFICOS com Raquel Moliterno.

Dia 10 de fevereiro, das 17h30 às 20h30.

Grátis.

Instituto Çarê – Rua Dr. Avelino Chaves, 138 – Vila Leopoldina, São Paulo – SP, 05318-040

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