Imunização em massa, ações inovadoras e fortalecimento da rede de saúde mudaram, em primeiro lugar, o curso da pandemia na cidade
Cinco anos após o início da vacinação contra a Covid no Brasil, Mauá apresenta, acima de tudo, números que evidenciam o impacto decisivo da imunização no enfrentamento da pandemia.
Desde janeiro de 2021, o município aplicou, por exemplo, 896.996 doses de vacinas contra o coronavírus, entre primeiras, segundas e doses de reforço.
O resultado foi, portanto, uma queda histórica no número de mortes causadas pela doença.
Ao todo, a cidade contabilizou 1.712 óbitos provocados por complicações do vírus SARS-CoV-2.
Desse total, 698 mortes ocorreram em pouco mais de um ano, antes do início da campanha de vacinação.
Mantido esse ritmo ao longo dos quatro anos seguintes, a cidade poderia ter anotado cerca de 2.800 mortes.
Mas, após o avanço da imunização, foram registrados 1.014 óbitos, o que representa redução aproximada de 64%.
Na prática, estima-se que ao menos cerca de 1.800 vidas tenham sido preservadas graças à vacinação.
A análise ano a ano reforça a tendência de queda.
Em 2020, Mauá registrou 516 mortes por Covid. Em 2021, no período mais crítico da pandemia, o número chegou a 1.049 óbitos.
A partir de 2022, com a ampliação da cobertura vacinal, os dados despencaram: foram 120 mortes naquele ano, 19 em 2023, cinco em 2024 e três em 2025.
Legados
“A pandemia confirmou o que sabíamos há tempos, ou seja, a vacinação é fundamental para reduzir casos graves, internações e óbitos. A imunização contra a Covid mudou o curso da história e deixou como legados o aprendizado, a solidariedade, a importância e a confiança no SUS, na ciência e nas políticas públicas executadas com responsabilidade como pilares no enfrentamento de crises sanitárias. Também temos de reconhecer o empenho incansável dos profissionais de saúde”, afirmou o prefeito, Marcelo Oliveira.
A trajetória da pandemia teve início no fim de 2019, quando a OMS (Organização Mundial da Saúde) foi alertada sobre casos de pneumonia atípica em Wuhan, na China.
Em poucos meses, a Covid se espalhou por todos os continentes, isolou pessoas, paralisou economias, sobrecarregou sistemas de saúde e se tornou um dos mais devastadores desafios sanitários da história recente, com cerca de 7 milhões de mortes estimadas até o primeiro trimestre de 2025.
No Brasil, a pandemia foi marcada não apenas pelo impacto na saúde, mas também por intensos debates políticos, conflitos institucionais e episódios de desinformação.
Quando a vacinação teve início no país, em janeiro de 2021, mais de 210 mil brasileiros já haviam perdido a vida para a doença.
Ainda assim, a chegada das primeiras doses representou mudança de rumo no combate ao vírus.
Em Mauá, esse momento ocorreu em 19 de janeiro de 2021, quando a auxiliar de enfermagem aposentada Francisca das Chagas Silva de Lima, então com 72 anos e funcionária da UBS (Unidade Básica de Saúde) Santa Lídia, tornou-se a primeira pessoa vacinada contra a Covid no município.
O gesto simbolizou o início de uma virada coletiva no enfrentamento da pandemia.
Segundo o prefeito, Marcelo Oliveira, a data permanece como um marco para a cidade.
Marco para a cidade
“A vacina salvou vidas e trouxe esperança. Cada dose aplicada representou proteção para famílias e comunidades. As doses foram fundamentais, até porque nossa prioridade ao assumir a Prefeitura sempre foi a de salvar vidas”, afirmou.
No começo da campanha, a vacinação foi direcionada a profissionais de saúde, idosos institucionalizados e pessoas de grupos de risco.
Apesar da resistência e da desinformação que marcaram aquele período, o município adotou estratégias próprias para ampliar a cobertura vacinal e facilitar o acesso da população.
Entre as ações de maior destaque está o ‘Arraiá da Vacinação’, realizado em junho de 2021.
Mais de 10 mil doses foram aplicadas em 12 horas ininterruptas de trabalho, transformando a imunização em grande evento comunitário.
Outra iniciativa inovadora foi o ‘carro da vacina’.
Ele percorreu bairros da cidade levando doses a moradores com esquema vacinal incompleto ou atrasado, especialmente em regiões mais afastadas.
A Prefeitura ainda optou por fortalecer a rede de saúde existente à época, com a ampliação de leitos públicos no Hospital Nardini e a formalização de parcerias com instituições privadas em vez da construção de um hospital de campanha – alternativa que havia sido adotada pela gestão anterior e foi marcada, em conclusão, por denúncias de irregularidades.
